A dramática história do pai de apenas 30 anos que em pouco tempo não reconhecerá mais os filhos e a esposa

A maioria das pessoas acredita que a demência é uma doença que só pode afetar os idosos. Todavia, milhões de pessoas em todo o mundo sofrem do Mal de Alzheimer bem antes dos 65 anos de idade. Há casos bem precoces, quando a vítima começa a ter os primeiros sintomas entre os 30 e 40 anos.

Esta dura condição afeta o inglês Daniel Bradbury, de apenas 30 anos. Ele foi diagnosticado com Alzheimer e os médicos lhe deram poucos anos de vida. E o mais chocante é que seus filhos gêmeos possuem 50% de chances de herdar a mesma condição do pai.

Atualmente, o jovem pai é incapaz de trabalhar. Ele foi diagnosticado em setembro do ano passado e os especialistas acreditam ser uma das pessoas mais jovens da Inglaterra a sofrer com o Mal de Alzheimer de início precoce.

Daniel herdou a condição de seu pai, Adrian, que morreu vítima de Alzheimer com apenas 36 anos. As pessoas com esse tipo de doença de geralmente têm a mesma expectativa de vida que teve a pessoa que herdou.

Assim como seu pai, Daniel foi diagnosticado pouco depois que os gêmeos nasceram. Como é uma doença hereditária, há uma chance forte de que seus filhos de 18 meses, Lola e Jasper, também sofrerão do mal na vida adulta.

Sua esposa e a mãe das crianças, Jordan Evans, 29 anos, que agora cuida de Daniel em tempo integral, disse: “Estávamos muito chocados e devastados pelo diagnóstico. Foi particularmente difícil ouvir que as crianças também têm a chance de desenvolver isso”.

Daniel foi informado de que ele pode ter Alzheimer quando Jordan estava grávida de quatro meses, no início de 2016, mas decidiu não fazer o teste naquele momento. No entanto, pouco depois do primeiro aniversário dos gêmeos, seus sintomas começaram a ficar mais graves, levando-o a diagnosticar.

O inglês sofreu os primeiros sintomas por mais de um ano antes do seu diagnóstico. “Tivemos a suspeita de que algo não estava certo, mas rezava para que não fosse isso. Ficamos muito chocados e devastados pelo diagnóstico. Foi particularmente difícil ouvir que as crianças também têm a mesma chance. Nós tentamos ter alguns dias de ‘não-Alzheimer’, quando não tocamos no assunto”, conta a esposa.

Consciente de que morrerá jovem, já que começa a perder memória, fica confuso e está perdendo o equilíbrio, Daniel deseja provocar lembranças duradouras para sua família. E para isso está arrecadando através de uma campanha R$ 45 mil para a viagem da vida a Disney, na Flórida.

Daniel e Jordan esperam que o dinheiro de angariação de fundos sirva para deixar memórias da família junta, antes que seu tempo acabe. “Tento não pensar nisso. Eu vivo com dias bons e dias ruins. Isso não me afeta apenas, afeta todos ao meu redor também. Não sei quanto tempo eu tenho. Eu quero ser um pai tão grande quanto eu puder”, diz Daniel.

“À medida que minha memória desaparece, eu espero criar memórias duradouras para minha esposa e nossos filhos, para que um dia eles possam olhar para trás e apreciar nossos vídeos e fotos de todos nós juntos”, acrescenta.

O casal, que se conheceu há 12 anos, icriou uma página na internet para arrecadar dinheiro e levar seus filhos à Disney World. Eles esperam ir até meados deste ano, pois não sabem como serão os próximos seis meses.

“Queremos arrecadar o máximo possível para fazer uma viagem como família e criar lembranças para as crianças. Esperávamos levá-los quando eles estivessem mais velhos e pudessem se lembrar, mas isso não é uma possibilidade agora. Isso significará muito para nós como uma família, olhar para trás e lembrar todos os bons momentos que tivemos”, ressalta Jordan.

O dinheiro arrecadado também ajudará Daniel a realizar outras coisas além da viagem à Disney, como pular de paraquedas com seus irmãos.

Alzheimer no Brasil e no mundo

No Brasil, o número de pessoas com a doença já atinge cerca de 1,2 milhão. Apenas metade delas se trata, e, a cada ano, surgem 100 mil novos casos. A estimativa é a de que esse número dobre até 2030, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer. Além disso, a cada duas pessoas com a doença, apenas uma sabe que a tem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2050 o número de casos aumente em até 500% em toda América Latina.

Em relação à abrangência do Alzheimer pelo mundo, temos os seguintes dados: na África, 2,2% da população desenvolveram a doença; na América do Norte, 6,4%; na América do Sul, 7,1%; na Ásia, 5,5% e, na Europa, 9%. Em relação à idade, os pesquisadores descobriram que indivíduos entre 65 e 69 anos tinham uma prevalência média de 1,17%.

Nove sintomas iniciais do Alzheimer

Veja abaixo a lista de alguns sintomas iniciais do Alzheimer. Esses indícios devem ser observados mesmo que você ache que se tratam de ocorrências normais. São eles:

1. Dificuldades na fala
2. Esquecer fatos que aconteceram recentemente
3. Dificuldade em se situar no tempo (saber em qual data ou hora estamos)
4. Perder-se em lugares conhecidos e até familiares
5. Dificuldades em tomar decisões ou ter iniciativa própria
6. Abatimento e tristeza sem motivo aparente
7. Mudanças repentinas de humor
8. Ficar com raiva ou agressivo por razões aparentemente simples
9. Depressão e perda de interesse por atividades que gosta