Casal inglês é julgado por torturar e queimar viva hóspede francesa

O julgamento do assassinato cruel de uma jovem francesa que fazia intercâmbio em Londres revelou o inferno que a estudante viveu junto à família inglesa que a hospedou.

Os bombeiros que em 20 de setembro de 2017 se aproximaram do jardim da casa da família, no sudoeste de Londres, alertados por um vizinho que informou que havia fumaça negra e um cheiro horrível, encontraram o pai, Ouissem Medouni, de 40 anos, queimando o cadáver da francesa Sophie Lionnet.

Ele lhes garantiu, tranquilamente, que estava cozinhando um cordeiro.

“Por que você está queimando um corpo?”, perguntou-lhe o bombeiro Thomas Hunt após observar dedos e um nariz, conforme contou diante do tribunal da capital britânica que julgará o caso até 11 de maio.

“É um cordeiro”, respondeu o pai calmamente, relatou Hunt.

A promotoria explicou no julgamento que o casal Ouissem Medouni e Sabrina Kouider havia submetido a menina de 21 anos a uma “campanha de intimidação, tortura e violência” que terminou com a sua morte.

O caso revela, além disso, a vulnerabilidade das ‘au pair’, geralmente mulheres jovens que, no caso do Reino Unido, vão aprender inglês enquanto cuidam de crianças em troca de comida e um quarto, mas muitas vezes acabam se tornando suscetíveis a abusos.

Sophie Lionnet tinha expressado a sua mãe seu desejo de voltar à França um ano antes de ser assassinada. “Se tivesse os meios para comprar uma passagem e pegar um táxi, já teria feito isso”, disse em uma mensagem.

– Arrancar uma confissão –

O casal acusou a babá, que trabalhava para eles desde dezembro de 2015, de ser uma espiã do ex-marido de Sabrina Kouider, Mark Walton, um cantor que teve seu momento de fama nos anos 1990 como integrante da banda de pop juvenil irlandesa Boyzone.

Segundo a promotoria, Kouider desenvolveu uma “obsessão” por seu ex-companheiro e o havia acusado falsamente de pedofilia, agressão sexual e assédio, antes de admitir que se tratava de calúnias.

A mulher disse aos investigadores que a ‘au pair’ havia “drogado” a sua família como parte de sua campanha de espionagem à serviço de Walton.

Na terça-feira, no segundo dia de julgamento, a audiência escutou trechos de mais de oito horas de gravações de áudio em que Lionnet era interrogada pelo casal.

Segundo Kouider, a jovem admitiu que trabalhava para Walton, que tinha lhe pagado 20.000 euros (25.000 dólares).

O tribunal também assistiu a um vídeo da jovem abatida, admitindo o suposto complô – uma confissão arrancada sob pressão, segundo a promotoria.