Nelson Rodrigues foi o primeiro a chamar Pelé de rei, antes ainda da Copa de 58
Existe uma máxima entre os boleiros de que o craque se nota pela forma como ele amarra as chuteiras, antes ainda de tocar na bola. Algo parecido aconteceu com o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, que não precisou ver o gênio Pelé ganh
Existe uma máxima entre os boleiros de que o craque se nota pela forma como ele amarra as chuteiras, antes ainda de tocar na bola. Algo parecido aconteceu com o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, que não precisou ver o gênio Pelé ganhar uma Copa do Mundo para chamá-lo de rei.
Em crônica publicada na antiga revista Manchete Esportiva em 8 de março de 1958, antes ainda da Copa na Suécia, em junho, na qual Pelé seria essencial na conquista do primeiro título mundial da seleção brasileira, o cronista o escolheu como personagem da semana após um jogo entre América e Santos, pelo Campeonato Paulista daquele ano.
"O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento", escreveu.
Depois de inúmeros títulos do craque na seleção e no Santos, tornou-se comum jornalistas brasileiros e estrangeiros se referirem ao jogador como Rei Pelé ou Rei do Futebol. Mas o pioneirismo é do escritor do Rio, apaixonado pelo Fluminense.
O artigo entrou na coletânea de textos de Nelson Rodrigues, organizada pelo jornalista Ruy Castro e lançada em 1993 pela Companhia das Letras, com o nome À Sombra das Chuteiras Imortais.
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