Influenciadores, donos de clínica presos usaram óleo de silicone em pacientes, diz delegado
Além do uso do óleo de silicone, delegado afirma que ele comercializaram medicamentos manipulados e substâncias proibidas pela Anvisa. O casal está preso preventivamente e defesa discorda da decisão. Por Tatiane Barbosa, Honório Jacomett
Além do uso do óleo de silicone, delegado afirma que ele comercializaram medicamentos manipulados e substâncias proibidas pela Anvisa. O casal está preso preventivamente e defesa discorda da decisão.
Por Tatiane Barbosa, Honório Jacometto, g1 Goiás e TV Anhanguera
13/03/2025 08h08
Os influenciadores e donos de clínica de estética, Karine Gouveia e o marido dela, Paulo César Dias, usuram substâncias proibidas como óleo de silicone e o PMMA em procedimentos estéticos e cirúrgicos de alto risco, informou o delegado Daniel de Oliveira. O casal é suspeito de deformar pacientes em clínica de estética em Goiânia. Os dois presos preventivamente nesta quarta-feira (12), cerca de um mês de serem soltos por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa de Karine Gouveia afirmou que a influenciadora nega o uso do óleo de silicone, como informado pelo delegado. O advogado da Karine, Romero Ferraz, argumenta que a acusação deve provar o uso da substância, mas que a investigação ainda não foi concluída.
"Não existe relatório final da autoridade policial. Não existe denúncia feita pelo Ministério Público. Ela tem o direito do devido processo legal justo. Se tem essa convicção, inclusive antecipando a culpa dela, que relate o inquérito e o MP ofereça denúncia. Ela exercerá o direito de defesa dela", declarou.
Sobre a prisão preventiva, a defesa afirmou, em nota, que discorda absolutamente da decisão decretada pela prisão preventiva dela. Segundo a defesa, a decisão "se valeu de narrativas falsas e da repugnante criminalização da advocacia para tentar impedir o direito constitucional de defesa, evidenciando práticas de lawfare" (veja a nota completa ao final da matéria).
Ao g1, o advogado de defesa de Paulo afirma que a prisão é “absurda e desnecessária”. O advogado Tito Amaral afirma que a prisão não tem fundamento. “A Polícia Civil está inventando, está criando, está fazendo um verdadeiro show de horrores, induzindo a erro o Ministério Público e o Poder Judiciário”, informou (veja a nota completa ao final da matéria).
De acordo com o delegado, a ordem judicial que determinou a prisão preventiva do casal indicou a gravidade dos casos, envolvendo a realização de procedimentos estéticos e cirúrgicos de alto risco. "Os procedimentos eram efetuados de forma indevida e com o uso de substâncias proibidas como óleo de silicone e o PMMA, além da comercialização ilegal de medicamentos manipulados e substâncias proibidas pela Anvisa", afirmou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/J/U/Wr0BEoSAab8us2yF5juw/casal-investigado.png)
Karine Gouveia e Paulo César, casal investigado pela Polícia Civil, Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Segundo o dermatologista Bones Júnior à TV Anhanguera, o uso de óleo de silicone como preenchedor definitivo tem um risco muito grande, já que o corpo reconhece como um corpo estranho.
"Ele [o corpo humano] não reconhece essa substância injetada dentro do corpo. Então gera um processo inflamatório muito grande que pode gerar nódulos carócidos, infecções. E como não existe um antídoto para retirar esse produto, a gente tem que fazer cirurgias e dependendo do local e da quantidade, são cirurgias que podem gerar deformidades",esclareceu o dermatologista.
Prisão pela segunda vez
Karine Gouveia e o marido foram presos preventivamente nesta quarta-feira (12), segundo a Polícia Civil. Eles estavam soltos desde o início de fevereiro, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O casal foi preso em razão das acusações de de formação de organização criminosa, falsificação de produtos terapêuticos, lesões corporais gravíssimas, exercício ilegal da medicina, estelionato e outros crimes relacionados à prática de procedimentos estéticos e cirúrgicos sem a devida qualificação técnica e autorização legal.
Lembre o caso
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/B/V/XjjxReTU61EzoLNAjeBA/imagens-2024-12-30t140304.713.png)
Vítimas de necrose após procedimentos e a dona da clínica, Karine Gouveia, em Goiânia, Goiás — Foto: Divulgação/Polícia Civil e Reprodução/Redes Sociais
O casal foi preso, pela primeira vez, em dezembro de 2024, em uma operação policial que investigava procedimentos estéticos e cirúrgicos que causaram danos físicos a pacientes. Segundo a Polícia Civil, além dos donos, mandados de prisão, busca e apreensão foram cumpridos em desfavor de técnicos que atuavam na clínica e que não tinham formação para realizar os procedimentos.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE