OK! especial(às 14h00): Hoje, 29 de abril, aniversário de Nana Caymmi!
Filha de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã de Danilo e Dori Caymmi, cresceu numa das famílias mais musicais do Brasil. Começou a cantar ainda muito jovem, adotando desde cedo uma técnica particular para valorizar seu timbre grave. Em 196
Filha de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã de Danilo e Dori Caymmi, cresceu numa das famílias mais musicais do Brasil. Começou a cantar ainda muito jovem, adotando desde cedo uma técnica particular para valorizar seu timbre grave. Em 1961 fez uma participação cantando "Acalanto", do pai, e logo em seguida mudou-se com o marido para a Venezuela, passando alguns anos afastada do meio artístico.
De volta ao Brasil, lançou seu primeiro disco, "Nana", pelo selo Elenco do produtor Aloysio de Oliveira, e participou do I Festival Internacional da Canção, obtendo o primeiro lugar em 1966 com "Saveiros" (Dori Caymmi/ Nelson Motta). No exterior, trabalhou com Sarah Vaughan e Sergio Mendes. Nos anos 70 e 80 gravou discos solo, como "Chora Brasileira" (1985) e em parceira com outros músicos, como "Voz e Suor" (1983), ao lado de César Camargo Mariano.
Uma das intérpretes mais expressivas e requisitadas na música brasileira, festejada pela sofisticação de suas interpretações, teve músicas compostas especialmente para ela. Nos anos 90 chegou à lista dos mais vendidos, dedicando-se ao repertório de músicas românticas e boleros, sendo "A Noite do Meu Bem" (1994) e "Resposta ao Tempo" (1998) dois de seus discos mais vendidos. A faixa "Resposta ao Tempo" (Cristóvão Bastos/ Aldir Blanc) foi incluída com êxito na minissérie "Hilda Furacão", da TV Globo. Produzido por José Milton, Nana Caymmi lança “Desejo”, seu álbum de estréia na gravadora Universal. A cantora conta com participações pra lá de especiais neste disco, como o dueto com Zeca Pagodinho na faixa "Vou Ver Juliana", as sobrinhas Alice (em “Seus Olhos”) e Juliana (que compôs a faixa que leva o seu nome) e Ivan Lins. Outro destaque é "Letras do Silêncio", de Marcos Valle e Erasmo Carlos.
Em 2003, lança “Duetos”, um álbum que traz uma seleção de canções, em parceria com nomes consagrados da MPB. Como: Emílio Santiago (“Doralinda”), Herbert Vianna (“Hoje Canções”), Agnaldo Timóteo (“Canção de Ninar Neném”) e Beth Carvalho (“As Rosas Não Falam”), entre outros parceiros. Depois de “Duetos”, Nana dá uma pausa para projetos com a família Caymmi.
Em 2004, junto aos irmãos Danilo e Dori, lança “Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo: 90 anos”, em comemoração aos 90 anos de seu pai, Dorival Caymmi. Neste mesmo ano, o CD dá origem a um DVD homônimo. Em “Até Pensei...”, de 2005, a cantora traz seus grandes sucessos com um repertório de músicas românticas e boleros. O álbum apresenta 14 canções, sendo que uma delas, a faixa-título “Até pensei” integra a trilha sonora da novela “América”.
A palavra não basta para o canto.
Nem é o canto de amor essa constante
Aragem de umas praias que escolheis.
Nas ilhas um mormaço, conjeturas,
Vizinhança de chuva, mortos, vivos
Rememorando a tarde em viuvez.” Hilda Hilst

Em 1963, lançou o seu primeiro disco-solo. Ao longo de uma bem-sucedida carreira, Nana Caymmi se tornou uma das mais requisitadas cantoras da música brasileira, gravando canções para trilhas de minisséries e novelas da Rede Globo, como o megassucesso “Suave Veneno”, lançado no ano de 1999. Essa música é composição de Aldir Blanc com o pianista Cristóvão Bastos.
“Fascinação” (valsa, 1905) – Fermo Dante Marchetti e Maurice de Féraudy
Escrita em 1905 por Fermo Dante Marchetti e Maurice de Féraudy, a valsa francesa “Fascinação” rodou o mundo e se tornou uma das mais populares de todos os tempos. Em 1943, recebeu uma versão em português criada por Armando Louzada e gravada no mesmo ano por Carlos Galhardo em companhia de sua orquestra. O cantor ficaria conhecido como o “Rei da Valsa”. Três décadas depois, em 1976, Elis Regina a resgatou para o espetáculo “Falso Brilhante”, em uma interpretação arrebatadora. A música entrou para a trilha da novela “O Casarão” e recebeu as versões de Nana Caymmi e Ney Matogrosso.
“Pra Machucar Meu Coração” (samba, 1943) – Ary Barroso
Na boca dos cantores, na pena dos poetas e sob o olhar dos amantes e das paixões tardias, ele recebe vários contornos, cores diversas, mas a expressão é sempre a mesma: símbolo do sentimento; representa o amor e a vida. Materno, leviano ou vagabundo; em desalinho ou de estudante; o coração do Brasil bate em seu TIC-TAC ao ritmo de forró, xote, samba, marcha e até tango. Dramático ou satírico, apaixonado ou tranquilo, o coração vem de Vicente Celestino, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Zeca Pagodinho, ao ritmo da vida que recebe a música como remédio e amiga. Em 1943, Ary Barroso compôs o samba “Pra Machucar Meu Coração”. Lançado pelo cantor Déo, recebeu regravações de Nana Caymmi e Gal Costa.
“Se Queres Saber” (samba-canção, 1947) – Peterpan
José Fernandes de Paula ou José Borba, o popular Peterpan, seria mais popular se fosse diretamente associado às suas composições. Gravado por Aracy de Almeida, Quatro Ases e um Coringa e Nana Caymmi, o herói do Brasil com apelido herdado da eterna criança norte-americana nasceu em Maceió, capital de Alagoas, e criou os versos e a melodia de “Se Queres Saber”, uma das mais bonitas canções de dor-de-cotovelo já escritas. A música foi lançada em 1947 por Emilinha Borba e regravada por Nana Caymmi em 1977.
“Saudade” (samba, 1947) – Fernando Lobo e Dorival Caymmi
Lançada em 1949, por Francisco Alves, cantor que ficou conhecido como o Rei da Voz durante a Era de Ouro do Rádio, “Chuvas de Verão” é um samba-canção de Fernando Lobo que fala sobre um amor passageiro, inebriante como as chuvas de verão. A música foi regravada por Orlando Silva, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada e Elza Soares, confirmando a sua beleza, mas ganhou a sua versão definitiva em 1969, com a voz de Caetano Veloso. Dois anos antes, Fernando Lobo e Dorival Caymmi compuseram “Saudade”, em 1947. A música foi lançada por Orlando Silva, e regravada, em 2007, por Nana Caymmi, com o piano de Cristóvão Bastos, em “Quem Inventou o Amor”.
“Ninguém Me Ama” (samba-canção, 1952) – Fernando Lobo e Antônio Maria
Fernando Lobo nasceu em Recife no dia 26 de julho de 1915 e morreu no Rio de Janeiro em 22 de dezembro de 1996, aos 81 anos. Jornalista, radialista e compositor, ele criou clássicos da música brasileira, em parcerias com Antônio Maria, Evaldo Rui, Dorival Caymmi, Paulo Soledade e Manezinho Araújo. “Ninguém Me Ama”, samba-canção de 1952, composto por Fernando Lobo e Antônio Maria, é dono de versos que ninguém esquece: “Ninguém me ama/ Ninguém me quer/ Ninguém me chama/ De ‘meu amor’”. A música foi lançada por Nora Ney, com seu estilo inconfundível de canto falado, que sublinhava ainda mais a dor da canção. Depois, recebeu regravações de Nelson Gonçalves, Nat King Cole, Maria Creuza, Nana Caymmi, Quarteto em Cy, etchttps://www.youtube.com/watch?v=dEKMp4Z7FHk
“Acalanto” (canção de ninar, 1957) – Dorival Caymmi
“Acalanto” é uma canção de ninar composta por Dorival Caymmi em 1957 para sua filha Nana Caymmi, que depois viria a cantá-la com ele. Com ternura e serenidade, revela o incondicional do amor paterno. Alguém a dedicar seus amores, carinhos, cuidados, para que o existir se valha. Eis um bonito clássico.
“Medo de Amar” (samba-canção, 1958) – Vinicius de Moraes
Ponte entre a tradição e a modernidade, Elizeth Cardoso privilegiava letras que calavam fundo em seu peito: “Nunca mais vou fazer/ O que o meu coração pedir/ Nunca mais vou ouvir/ O que o meu coração mandar”, de Antônio Maria (1921-1964) e Ismael Neto (1925-1956). “Ocultei/ Um sentimento de morte/ Temendo a sorte/ Do grande amor que te dei”, de Ary Barroso. “Risque meu nome do seu caderno/ Pois não suporto o inferno/ Do nosso amor fracassado”, do mesmo compositor. “Outra vez, sem você/ Outra vez, sem amor/ Outra vez, vou sofrer, vou chorar/ Até você voltar”, de Tom Jobim. “Vire essa folha do livro e se esqueça de mim/ Finja que o amor acabou e se esqueça de mim”, de Vinicius de Moraes. “Medo de Amar”, um samba-canção só de Vinicius, ganhou a versão arrebatadora de Nana Caymmi, e foi regravada por Ney Matogrosso.

“Pra Você” (bolero, 1968) – Silvio CésarÉ constrangedora a indiferença contemporânea em torno da obra do compositor Silvio César. Para quem não liga o nome à pessoa, o mineiro de Raul Soares, cidade na Zona da Mata, que consolidou a carreira no Rio de Janeiro, é o autor da clássica “Pra Você”, regravada por Nana Caymmi, Gal Costa, Angela Maria, Emílio Santiago, Taiguara, Zezé Motta, entre outros. A precisão dos versos sobre um amor idealizado ajuda a entender a perenidade da música: “Pra você eu guardei/ Um amor infinito/ Pra você procurei o lugar mais bonito/ Pra você eu sonhei o meu sonho de paz/ Pra você me guardei demais”, declara o eu lírico, que ao final apela à amada que ela retorne ao l
“Quantas Lágrimas” (samba, 1970) – Manacéia
Produzido por Paulinho da Viola, o disco “Portela, Passado de Glória”, foi lançado em 1970. O trabalho apresentou composições dos mais ilustres nomes da Escola de Samba na interpretação da Velha Guarda da Portela. Entre elas, a música “Quantas Lágrimas”, que, como o próprio disco, não recebeu a atenção merecida e passou despercebida. Felizmente, o Brasil tem Cristina Buarque que, quatro anos depois, em 1974, estreou em disco e chamou a atenção do país para a beleza de “Quantas Lágrimas”. A música se transformou no maior sucesso da carreira de Cristina e de Manacéia, e recebeu mais de 40 regravações, passando pelas vozes de Teresa Cristina, Zélia Duncan, Noite Ilustrada, Paulinho da Viola, Marisa Monte, Nana Caymmi, e etc.
“Beijo Partido” (clube da esquina, 1975) – Toninho Horta
Lançada em 1975 por Nana Caymmi e relançada por Milton Nascimento no disco “Minas”, a música “Beijo Partido”, de Toninho Horta é, até hoje, considerada uma das mais bonitas da música brasileira, definida pelo historiador Jairo Severiano, no livro “A Canção do Tempo: Volume II”, como aquela que “tipifica o estilo do compositor, com sua linha melódica aparentemente simples e a harmonia sofisticada”. “As pessoas vão perceber esse movimento pendular, de uma construção musical sofisticada que regressa ao berço, a algo mais simples”, sustenta o sempre inquietante Toninho Horta.
“Fruta Boa” (clube da esquina, 1983) – Milton Nascimento e Fernando Brant
“Fruta Boa”, parceria de Fernando Brant com Milton Nascimento, foi lançada por Telma Costa e depois regravada por Nana Caymmi, em 1983, no disco que a cantora dividiu com o pianista César Camargo Mariano, batizado de “Voz e Suor”. “Só pela beleza essas músicas já valem, elas são emocionantes acima de tudo. E isso tem a ver com a música mineira que decorre do século XVIII em Vila Rica e chega ao século XX com a mistura desses contrastes de uma cidade planejada em relação a ladeiras, picos e construções coloniais. As letras do Fernando Brant ajudaram a formatar a musicalidade do Clube da Esquina, que, no disco de 1972, sintetiza esses movimentos. Digo que é o primeiro álbum de world music do mundo”, avalia Rodrigo Toffolo, maestro da Orquestra Ouro Preto.

“Doralinda” (MPB, 1989) – Cazuza e João Donato
“Doralinda” é uma das últimas composições de Cazuza, lançada postumamente, em 1991. Nesta sensível parceria com João Donato, o poeta reflete sobre a existência e propõe para a sua amada as riquezas materiais da vida, que disfarçam o que se quer mostrar de verdade, o real sentimento e sua impalpabilidade. Por isso ele afirma: “Eu queria te dar a lua, só que pintada de verde/ Te dar as estrelas, de uma árvore de Natal/ E todo o dinheiro falso do mundo, eu queria te dar”. Ou seja, prova de que o dinheiro em si, como símbolo, não provoca as desilusões humanas, mas como tudo o que é manipulado, é do seu uso que dependerá a conotação boa ou ruim. Ao fim, Cazuza vaticina: “Eu queria te dar o amor que eu talvez nem tenha pra dar…”. A música foi regravada por Nana Caymmi, o próprio João Donato e Emílio Santiago, e, com singeleza, revela e esconde o real espírito natalino.
“Resposta ao Tempo” (bossa nova, 1998) – Aldir Blanc e Cristóvão Bastos
A música “Resposta ao Tempo” concentra uma poesia altamente existencial e reflexiva de Aldir Blanc, aliada à melodia sofisticada de Cristóvão Bastos e à voz de mormaço de Nana Caymmi. Esse conjunto, por si só, a justifica como obra-prima. Não bastasse isso, essa típica peça de bossa nova, tema de abertura da minissérie “Hilda Furacão” em 1998, tem como tema o “tempo”, um dos mais misteriosos ao ser humano, senão o principal responsável por suas dúvidas, esperanças e medos. Por isso, ele adquire condição de protagonista, numa conversa franca com o eu-lírico, que conclui: “No fundo é uma eterna criança/ Que não soube amadurecer/ Eu posso, ele não vai poder/ Me esquecer…”, diz.

Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.
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