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Saúde: “O paradoxo do câncer de mama: por que os países mais ricos registram mais casos que os pobres -Veja países com maior índice

Saúde: “O paradoxo do câncer de mama: por que os países mais ricos registram mais casos que os pobres -Veja países com maior índice

A diferença não está apenas na doença, mas na forma como cada sociedade detecta, registra e trata o câncer de mama. Dados principais Países com maiores taxas de incidência (casos novos padronizados por idade) de câncer de mama tendem

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 17/10/2025 18:06 | 332 visualizações
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A diferença não está apenas na doença, mas na forma como cada sociedade detecta, registra e trata o câncer de mama.

Dados principais

  • Países com maiores taxas de incidência (casos novos padronizados por idade) de câncer de mama tendem a ser os países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Exemplos: Bélgica, França, Austrália, Países Baixos.
  • Por exemplo, Austrália e Nova Zelândia foram apontados como tendo a maior taxa de incidência ajustada por idade (ASIR) em 2022, cerca de ~100 casos por 100.000 mulheres.
  • Em contraste, regiões de IDH mais baixo ou médio têm taxas menores de incidência, mas às vezes taxas de mortalidade mais elevadas proporcionalmente, devido a diagnóstico tardio, menos acesso ao tratamento etc.

Por que isso acontece — fatores explicativos

Mesmo parecendo contraintuitivo, que países desenvolvidos têm mais casos, há várias razões:

  1. Detecção precoce e rastreamento
    • Em países desenvolvidos há programas de rastreamento (mamografia periódica), diagnóstico mais acessível. Isso aumenta o número de casos diagnosticados.
    • Em países subdesenvolvidos, muitos casos não são detectados ou são detectados tardiamente, então “incidência registrada” parece menor.
  2. Expectativa de vida maior
    • Em países desenvolvidos, as pessoas vivem mais. O risco de câncer de mama aumenta com a idade. Então há mais mulheres em faixas etárias onde o risco é maior.
  3. Fatores de estilo de vida
    • Dieta rica, obesidade, menor atividade física, consumo de álcool, menos filhos ou filhos mais tarde, duração menor de amamentação, hormônios exógenos (terapia hormonal), poluição, radiação etc. Esses são mais prevalentes em países ricos ou em processo de “ocidentalização”.
  4. Reprodução e fatores hormonais
    • Ter filhos mais tarde, ter menos filhos, começar a menstruar mais cedo, entrar na menopausa mais tarde, uso de contraceptivos hormonais ou de terapia de reposição hormonal etc.
  5. Infraestrutura médica
    • Melhor diagnóstico, melhor registro de casos, melhores registros de câncer nos países mais desenvolvidos. Nos países subdesenvolvidos, subnotificação é comum.
  6. Mortalidade mais baixa nos países desenvolvidos
    • Mesmo com muitos casos, a mortalidade relativa pode ser menor devido a melhores tratamentos, melhores cuidados médicos, acesso a terapias modernas.

Aqui está uma tabela comparativa completa com países de IDH alto x médio/baixo, mostrando as taxas padronizadas por idade (ASR) de incidência de câncer de mama por 100 mil mulheres, segundo estimativas globais (GLOBOCAN / WCRF / INCA).


???? Comparativo Global — Incidência de Câncer de Mama (ASR*)

Classificação por IDHPaís / RegiãoASR (casos por 100 mil mulheres)Observações
???? Muito alto (IDH alto)França105,4Uma das maiores taxas do mundo
Chipre104,8Elevada incidência e rastreamento eficaz
Bélgica104,4País com registro oncológico completo
Holanda101,6Taxa elevada pela detecção precoce
Austrália101,5Um dos maiores índices da Oceania
EUA90,3Incidência alta, mas mortalidade em queda
Reino Unido88,0Sistema público garante rastreamento amplo
???? Médio / AltoBrasil63,1Alta incidência nas regiões Sul e Sudeste
México52,3Avanço em diagnóstico, mas desigualdade regional
África do Sul47,3Subdiagnóstico em áreas rurais
Indonésia44,0Crescimento devido à urbanização
Turquia43,9População em envelhecimento e dieta ocidentalizada
Egito43,1Alta mortalidade relativa
Filipinas40,6Registros incompletos, mas casos crescentes
???? Médio / BaixoÍndia25,8Diagnóstico tardio e subnotificação
Paquistão34,4Falta de rastreamento sistemático
Bangladesh17,0Uma das menores taxas registradas, mas muitos casos ocultos
Etiópia19,5Acesso limitado a exames e tratamento
Nigéria22,1Alta mortalidade por diagnóstico tardio

???? Análise rápida:

  • As maiores taxas (acima de 100) ocorrem em países desenvolvidos, onde há maior expectativa de vida, detecção precoce e melhores registros.
  • Nos países de IDH médio/baixo, os números parecem menores, mas isso reflete subnotificação, diagnóstico tardio e falta de rastreamento.
  • O Brasil fica numa posição intermediária — incidência alta, mas ainda com desigualdade regional importante.

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