Poesia de Semana Santa - Marcos Aurélio
Lembro-me do tempo em que, da porta, sentia o cheiro da iguaria que estava a preparar.
No fogão a lenha, o feijão, com gosto de bela comunhão, na mesa a compartilhar.
Entre as conversas, a saudade das velhas amizades que a vida espalhou.
No mexido quente da panela, vovó soltava aquela prosa linda do vovô.
O tempero era o sorriso dos netos e filhos que de longe vinham ver.
Aquele cantar, que era bonito, ecoava em nossos ouvidos, fazendo lágrimas descer.
Ao sentar à mesa, a comunhão lembrava de cada irmão que precisa de um pão para poder viver.
De repente, mamãe entoava aquele hino que fala que um menino um dia iria morrer.
Eu, sem entender, achava tão bonita a melodia do hino, que me fazia ver
que, depois que fui crescido, tudo está tão esquecido, só se fala em poder.
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