Contratação de pessoal: modelo antiquado prevalece em Caxias - Sílvio Cunha
Duas colunas atrás rasgamos elogios a uma impecável postura que a Câmara Municipal de Caxias (CMC) adotara em certa noite
no plenário do legislativo. Naquele momento, nossa vereança deixou as querelas de bloco político de lado e debateu entre si
diversos assuntos recorrentes no município. Agora, no entanto, assistindo às últimas reuniões da casa, percebe-se que tudo
voltou a ser como antes e, pior, com pouquíssimos oradores dispostos a fazer uma intervenção propositiva, à exceção, é claro,
dos edis da oposição, sempre dispostos a jogar luz sobre problemas existentes no município.
Assim, a flor que se abriu na última semana trouxe a reflexão sobre as dificuldades que a cidade tem de realizar concurso público
para cargos na prefeitura. Ao apreciar o último projeto de concurso lançado pela gestão municipal, o poder judiciário optou por
cancelar o certame por tempo indeterminado até que sejam sanados pontos considerados como conflitantes à realização do
projeto, a exemplo do número de vagas disponíveis.
Ora, há muito tempo que a justiça intenta dar um basta nessa histórica de vagas flutuantes dentro do quadro de pessoal da
Prefeitura de Caxias. Entre prefeito e sai prefeito e ninguém consegue equacionar o problema. A exemplo da União e do Estado
do Maranhão, que já acabaram com esses vícios administrativos, aqui no torrão natal segue o modelo da contratação periódica de
servidores, isso porque a manobra é planejada com o objetivo da classe política se beneficiar dessas contratações,
arregimentando correligionários e seus familiares em busca de valiosos votos em época de eleições.
A situação não é vivenciada somente nos dias de hoje. Advém de décadas passadas, de sorte que mandachuva algum sentado
na poltrona de prefeito teve a intenção de modificá-la, à exceção do ex-prefeito Paulo Marinho, lá pelos idos da primeira metade
dos anos 1990. A ação, no entanto, talvez lhe tenha rendido um confronto com adversários políticos dispostos a expulsá-lo do
Nos tempos atuais, com uma participação mais explícita do Ministério Público Estadual, o Poder Judiciário Maranhense vem
tentando acabar com essas manobras que, não só ferem o dispositivo constitucional, como se traduzem em vergonha por todo o
estado, além de serem mesmo coisas muito antiquadas no contexto democrático brasileiro. A maior desculpa para a mazela
permanecer brota do imaginário de que o poder público municipal é quem mais emprega a cidadania no município, uma vez que
os investimentos empresariais por aqui continuam muito fracos, ocasionando, evidentemente, pouca oferta de empregos.
Olhando o cenário por esse prisma, o leitor facilmente chegará à conclusão de que talvez seja por isso que a classe política não
se empenha em empunhar bandeiras a favor de novas empresas se instalarem em Caxias, em que pese o agronegócio se
apresentar como a bola da vez em matéria de investimentos econômicos sólidos por todo o território nacional. Acrescente, na
equação, o fato de o trabalhador caxiense não estar muito bem em matéria de educação para acompanhar as novas tecnologias
do momento, aí, por conseguinte, fica mais claro porque se torna imperativo manter o modelo caduco de contratações de pessoal
na administração do município.
Mesmo forçada pelo judiciário a promover concursos, coisa que a Câmara Municipal prontamente sacramentou recentemente, a
impressão que se tem é a de que a gestão do município, na verdade, trabalhou para empurrar o problema com a barriga, como se
diz popularmente, quando o interesse é preservar o modus operandi vigente. Afinal, em outubro vindouro será época de eleições e
não será possível colocar em risco projetos políticos que já se movimentam no tabuleiro, sobretudo os que pretendem reeleição.
Retomando o olhar sobre a bancada do legislativo caxiense, dá para entender o porquê de os vereadores ligados ao grupo
dominante serem tímidos em produzir proposições demandadas pelo povo. Alguns até se arriscam em trazer à tona denúncias de
suas bases políticas, mas o fazem apontando erros e desatenção da assessoria, sem mencionar de onde parte efetivamente as
decisões. Presos ao modelo antiquado de fazer política, sentem que, agindo em contrário, poderão também engrossar as fileiras
da oposição, cujos membros não são aquinhoados com as benesses do poder.
Contudo, graças às redes sociais e muita informação que atualmente chega aos eleitores caxienses, é a oposição que vem
ganhando mais espaço no processo eleitoral. E lembrar que foi exatamente por conta de contratações ilegais, compra de votos e
outros artifícios, na última eleição municipal, que a classe dominante acabou cassada pela justiça eleitoral. Nos bastidores, corre a
notícia de que um recurso contra a decisão da justiça eleitoral será julgado no próximo dia 29, pelo Tribunal Regional Eleitoral
(TRE-MA). Se esta for mantida pela corte, com certeza Caxias terá nova eleição municipal, excluídos os a
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