Caxias: A falta de fiscalização é o grande entrave - Sílvio Cunha
Em sã consciência, ninguém pode dizer que a vereança local vem fazendo o seu papel no legislativo caxiense. Não apenas a
oposição, mas também a bancada que dá sustentação ao governo municipal. Todos sabem que o problema da gestão esbarra em
falta de planejamento e caos administrativo herdado da administração anterior, devido à falta de compromisso com as demandas
da população, que vão sendo embaladas, ao ponto da palavra política ter perdido totalmente o crédito com a população. O
prefeito no poder, dentro das suas possibilidades, vai fazendo o que pode, e se esforça para revitalizar a educação pública
municipal, a limpeza da cidade, dentre outras ações. E, assim, os edis vão se adaptando às conveniências, produzindo mesmo
proposições que auxiliem o prefeito a realizar coisas concretas para o município.
O vereador Wesley Coutinho, do bloco oposicionista, é daqueles que não se conforma com o slogan assumido pelo prefeito José
Gentil Neto (PP), que se autodeclarou prefeito da educação. Segundo ele, Gentil Neto pode até estar trabalhando na melhoria
física da rede, oferecendo mais conforto ao alunado da educação básica, mas deixa para segundo plano a questão salarial dos
professores contratados pelo município. É uma insatisfação que domina essa categoria, que inclusive atrapalha o
desenvolvimento de aulas em muitas escolas.
Por outro lado, o vereador Mário Assunção (PP) foi portador na semana que passou da informação de que o município já possui
legislação para retirar animais de grande porte da cidade. O problema recorrente já era previsto no Plano Diretor do Município.
Contudo, na manhã deste domingo 10, cavalos desfilavam tranquilamente pela avenida Santos Dumont e inclusive se postaram
diante das portas envidraçadas de uma nova academia de ginástica recém-instalada na via, como se estivessem curtindo as suas
imagens equinas. Quem assistiu à cena, com certeza não pôde conter o riso diante do fato. A situação, porém, deixa claro quenão seria a falta de uma legislação específica a responsável pelos animais que circulam livremente pelas ruas e avenidas de
Caxias, mas sim ausência de fiscalização.
Então, pelo que se vê, a Câmara Municipal bem que se esforça para suprir o município com leis eficazes, o problema reside
mesmo é na inoperância do governo em fiscalizar o que tem de ser mesmo fiscalizado diariamente. No trânsito, até se observa
que o efetivo de guardas cresceu. Contudo, ninguém vê esses agentes atuando nos cruzamentos perigosos, onde condutores
apressados insistem em furar os semáforos, colocando em risco motoristas que guardam respeitosamente a lei. O condutor
percebe o sinal abrir, engata a marcha, mas logo tem que pisar no freio porque outro motorista se achou no direito de cruzar o
sinal vermelho. Se houvesse fiscalização e multas contra esses maus cidadãos, o trânsito caxiense seria bem melhor, em que
pese o péssimo rolamento na grande maioria das pistas da cidade, e agora mais acentuadamente no centro histórico., onde os
buracos tampados se transformaram em mondrongos que também incomodam muito os condutores.
Colaborando para melhorar o cenário visual de Caxias, o vereador Antônio Ximenes (PP) deu entrada numa proposição que
objetiva urbanizar o corredor ferroviário que corta a cidade, no trecho entre os bairros Caldeirões e Baixinha. O parlamentar disse
da sua satisfação com a urbanização que foi viabilizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC) no antigo complexo
da estação ferroviária à altura do bairro Galeana. Graças ao empenho do saudoso desembargador aposentado Arthur Almada
Lima Filho, assim como de confrades e confreiras da instituição, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)
pode realizar a obra que revitalizou o local, abrindo espaço para órgãos públicos se instalarem em benefício da comunidade. Além
do próprio IHGC, que ficou com o prédio-sede da estação, o Governo do Maranhão já se integrou ao projeto e assumiu a guarda
física do complexo. Aguarda-se agora que a área reservada para exposições e um teatro sejam entregues pelo governador Carlos
Brandão.
Como entende que o local está revitalizado e urbanizado caprichosamente, o vereador AX acredita que o prefeito Gentil Netoagora tem argumentos para reivindicar a colaboração da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), que opera o trecho São LuísTeresina, no sentido de estender melhorias ao longo do trajeto por onde passam as composições da empresa dentro do perímetro urbano de Caxias. Legalmente o município não pode taxar a empresa pela circulação de seus trens, já que se trata de uma concessão estabelecida pelo governo federal. Mas pode reivindicar a instalação de sinais luminosos e de advertência, melhorias
nas passagens de nível, iluminação especial, além de rotina de limpeza no trecho, para evitar a presença de lixo atirado por maus
moradores. Essas informações estão no bojo da proposição que será oferecida ao prefeito pelo veterano vereador.
Para dar uma ideia das operações da FTL que envolvem Caxias, em 2024, por exemplo, a empresa chegou a transportar, no
trecho São Luís-Teresina, 1,6 milhão de toneladas de celulose, 525 mil toneladas de combustíveis, além de 83 toneladas de
clique, 17 mil toneladas de cimento, dentre outros produtos. Nos Estados Unidos e em outros países, é comum as empresas que
utilizam o solo de um município doarem benefícios para a população local, através da edificação de praças, escolas, centros de
convivência etc. Então, vamos torcer pela urbanização do trecho ferroviário na cidade. Afinal, nossa Caxias histórica merece isso,
desde que os trens passaram a cruzar a cidade em 1920.
A época, entretanto, é de pré-campanha eleitoral. E as movimentações agora estão mais acaloradas com o anúncio do apoio da
deputada estadual Cláudia Coutinho (PDT) ao deputado federal Paulo Marinho Júnior (PL), durante concorrido encontro político
no espaço Marília Eventos, na última quinta-feira 8. O líder do grupo da deputada, ex-prefeito de Matões Ferdinando Coutinho,
disse que assumiu compromisso firme com o jovem deputado, deixando para trás as rugas que tinha com o político Paulo
Marinho, pai do deputado, que agora diz que o filho é quem faz política na família. A notícia causou alvoroço na cidade, mas foi
uma demonstração de peso de quem não está disposto a trazer candidaturas de fora para concorrer contra caxienses natos.
O tema foi levantado recentemente pelo decano vereador Catulé (PL) na CMC, preocupado com o fato de agentes políticos locais
estarem dando preferência a candidaturas de fora junto ao eleitorado caxiense. A seu ver, é uma situação que só enfraquece o
município, especialmente num momento em que Caxias conta com quatro deputados estaduais e uma deputada federal eleitos
com votos dos caxienses. Para ele, essas candidaturas só servem para encher os bolsos dos maus políticos da cidade,
enfraquecendo o peso político da região. E tem razão, porque esses eventuais eleitos com os votos daqui logo saem, exatamente
por entenderem que já pagaram pela eleição. Não há compromisso pelo progresso de Caxias. Quando muito, representa ganho
em percentuais das emendas impositivas que são destinadas para a cidade.
O caso da falta de pagamento de salários de alguns médicos que trabalham para o município, desde dezembro passado, ganhou
dimensão maior durante a semana que passou, E se já havia incômodo com a imprensa teresinense repercutindo o fato, dado que
há médicos piauienses no processo, eis que o Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) também emitiu nota
criticando a inadimplência, ao mesmo tempo em que cobrou providências imediatas da Prefeitura de Caxias para solução da crise.
No plenário da CMC, o vereador Daniel Barros (PRD) denunciou que o Ministério da Saúde já enviou, neste ano, até o presente
momento, cerca de 54 milhões reais para a saúde de Caxias. Explicar, porém, o porquê desse dinheiro todo não cobrir o salário
de médicos é muito difícil. Uma pista foi oferecida num podcast recente produzido em Caxias, quando um membro da assessoria
da atual gestão, se sentindo um bode expiatório, deu a entender que a tal suspensão de pagamento de proventos de médicos já
ocorria desde a gestão anterior à de Gentil Neto. Uma bomba de efeito retardado, portanto, catalisador a se somar a outrasexplosões que certamente ocorrerão à medida que vierem à tona processos que já estão sendo investigados pela polícia federal
no município. Fiquemos atentos, portanto, a esses e outros lances que estão acontecendo em Caxias.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE