A crise passou, mas os incômodos persistem - Sílvio Cunha
Parece que a crise política que eclodiu há poucos dias na Câmara Municipal de Caxias já foi superada. Pelo menos, essa foi a
impressão que ficou entre os que assistiram aos trabalhos legislativos na casa, ao longo dos últimos sete dias. Na sessão de
segunda-feira 18, após o forte entrevero que ocorreu dias antes, o vereador Catulé (PL) formalizou pedido de desculpas ao colega
Leonardo Barata (Solidariedade), e este, mesmo que de forma teatral, procurando imitar o que seu pai fizera nos tempos da
ditadura militar, usou a tribuna sob o manto da bandeira de Caxias, demonstrando que estava ali para representar e defender o
povo de Caxias. Trocou inclusive de lugar na bancada, para não ficar próximo de Catulé. Veio a quarta-feira 20, no entanto, e tudo
voltou à normalidade, com Barata voltando a esgrimir a importância de pôr em ação, agora, o seu projeto de recuperação do
centro histórico da cidade. Líder do governo municipal, não falou como a gestão realizará a substituição do asfalto nas ruas, mas
evidenciou a viabilidade imediata dos lampiões estilo colonial, segundo ele, com lâmpadas de cor âmbar, que passarão a iluminar
certos pontos da área histórica.
Se esse foi roteiro da tribuna na CMC, na planície, ou seja, no plenário, foi a vez de vereadores demonstrarem insatisfação com o
que vem acontecendo em Caxias. O vereador Antônio Ximenes (PP), por exemplo, destacou a precariedade em que se
encontram as estradas vicinais do município. Na sua avaliação, as mesmas nem podem ser consideradas estradas, pois são
caminhos em muitos pontos intrafegáveis, causando isolamento entre muitas comunidades. Ele adiantou que manteve contato
com a deputada federal Amanda Gentil (PP), através do qual reivindicou a intervenção da parlamentar no sentido de garantir
recursos federais para resolver esta que é uma grave demanda da população interiorana do município.
Para sorte do vereador, e dos caxienses dos povoados evidentemente, as chuvas que caíam impiedosamente na região
cessaram. Mas, além disso, a Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), aprovou um projeto de lei emergencial mediante o qual
estarão abertos os canais para estados e municípios receberem recursos federais em pleno período eleitoral, matéria vedada
constitucionalmente. Sob pressão da marcha de prefeitos que aconteceu na semana que passou na capital federal, os deputados
deverá ser vetada pelo presidente da República. Então, daí em adiante será recomeçado um cabo de guerra, através do qual
oposicionistas e situacionistas batalharão pela manutenção ou derrota do veto presidencial, com grandes chances do caso ir parar
no Supremo Tribunal Federal (STF). Como se sabe, é no STF onde costumam ser resolvidas situações que envolvem leis
consideradas pétreas, isto é, que não podem ser maculadas sob pretexto algum, a não ser, talvez, em caso de calamidades que
exijam exposição momentânea, como foi a ocorrência, por exemplo, da epidemia do coronavírus (covid-19) no país. Ressabiados
com os muitos escândalos financeiros que grassam atualmente no Brasil, os magistrados do STF podem divergir da Câmara
Federal, por entenderem que eventuais emendas parlamentares de caráter financeiro, oriundas do projeto de lei, sirvam para
abastecer campanhas das próximas eleições de outubro, o que é vedado pela legislação eleitoral.
Outro momento em destaque, na quarta-feira, foram as reclamações, tanto de vereadores da oposição quanto de vereadores
governistas, em relação às obras que o governo do Estado está realizando em Caxias. Muito embora entendam que o período
chuvoso vinha atrapalhando o andamento dos serviços, houve demonstração de indignação diante do fato das obras do Centro de
Ensino Odolfo Medeiros, no Cangalheiro, estarem demorando tanto. A escola suspendeu aulas há mais de um ano, enquanto a
recuperação se arrasta a passo de cágado, como se diz popularmente. E, pelo visto, não será concluída dentro deste ano. Outro
incômodo, decerto, é a materialização da nova avenida Pirajá, cujas obras inacabadas estão causando enorme transtorno aos
moradores de todo aquele perímetro urbano da cidade. No contexto dessa situação, não foi surpresa assistir-se o presidente da
CMC, vereador Ricardo Rodrigues (PT), fazendo a corte na visita que o vice-governador Felipe Camarão (PT) fez ao município no
fim de semana, levando como lastro alguns vereadores situacionistas, estes, certamente, incomodados com as ações realizadas
pelo governador Carlos Brandão em solo caxiense. O vice-governador está em campanha pelo Palácio dos Leões.
Não obstante esses acontecimentos, Caxias insiste em não se afastar de escândalos de cunho financeiro/eleitoral. Nas emissoras
de Tv de Teresina (PI), nas redes sociais, prosseguem as denúncias contra caxienses, agora com teor de envolvimento com
facções do narcotráfico, uma praga que está assolando o território nacional, não só pelo fato de alimentarem assiduamente o
consumo de drogas no país, mas pelo aliciamento que fazem de jovens desempregados vulneráveis economicamente. A coisa
parece que já se aproxima da investida que se deu na vizinha cidade de Timon (MA), haja vista que os símbolos grafitados hoje
na antiga Vila das Flores são os mesmos que ora já podem ser vistos em Caxias. Confira a exposição em muro do estádio Duque
de Caxias, no Seriema.
Como se o que registramos não bastasse, eis que nas redes sociais nos apareceu um cidadão demonstrando como “trabalhou”
para cooptar funcionários municipais nas eleições de 2024. Segundo ele, o serviço era como uma ameaça velada a quem não
pensasse em votar nos candidatos oferecidos por poderoso grupo político local. Para o cooptador, o prêmio seria um emprego
garantido, que não veio depois. No post que fez, ele chegou a oferecer uma planilha com nomes de servidores à polícia federal.
Mas isso aconteceu pela manhã, à tarde, o mesmo homem usou as mesmas redes sociais para pedir desculpas e dizer que
desconsiderassem a informação. Deve ter ficado com medo de medida judicial, de retaliação...
Mas nem tudo são espinhos em nossa histórica Caxias. Graças à última audiência pública de segurança, o efetivo policial da
cidade, agora reforçado da Guarda Municipal armada, presente do prefeito Gentil Neto (PP), está bem mais frequente nas vias e
logradouros públicos. Foi também um prazer constatar como os jovens adolescentes estão tão envolvidos com o esporte
ultimamente. Meninos e meninas lotaram os campos de futebol do Parque da Cidade, da Liga de Futebol de Caxias, dentre
outros, em disputadíssimas e saudáveis competições. Deu gosto de ver, acreditar no futuro, assistindo os pequenos, aos grupos,
de mochilas nas costas e chuteiras penduradas.
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