ALMA DE FLORES - Elany Morais
Como o beija-flor —
suspenso no instante exato entre o impulso e o repouso —
embriaga-se daquilo que não possui,
mas apenas atravessa,
assim caminho eu
pelas camadas invisíveis do meu próprio jardim.
Nunca me perdi —
porque o erro, em mim,
não é desvio:
é linguagem do acaso
se dizendo sem pressa.
Hoje, possuo o que sou.
E o que não me habita
já não me convoca.
A imagem do meu desejo
não me visita —
ela reside, funda,
no centro ardente do meu ser.
E ali,
em movimentos que não cessam,
dança.
Não para ser alcançada —
mas para existir.
Outras e outras vezes,
incendeia minha alma
como se cada chama
fosse a primeira.
Quis prendê-la —
como quem teme o desaparecimento.
Mas o que é inteiro
não foge.
Agora, não há urgência.
Nem atalhos.
Apenas permanência —
e a quietude plena
de quem, enfim,
habita a si mesma.
Elany Morais
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