A indústria da morte agradece - Ricardo Marques
Outro dia, um amigo me enviou um vídeo do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano com um comentário excepcional. Eu já tinha visto esse vídeo — “Las guerras mienten”. Foi uma manifestação de Galeano em favor da “Marcha Mundial pela Paz e Não Violência”, de 2009. Galeano morreu em 2015. E confesso: não lembrava desse vídeo e não me dava conta do quão atual ele é.
Eduardo Galeano não era ingênuo.
Ele dizia, sem rodeios:
as guerras mentem.
Frase mais assertiva, impossível!
Galeano continua com a razão:
as guerras mentem.
E mentem com uma cara limpa, quase elegante.
Nunca dizem: “vamos matar para lucrar”.
Não.
Dizem: “vamos defender a paz”.
É uma farsa bem produzida.
Enquanto isso, o mundo torra milhões por minuto em armas —
e crianças continuam morrendo de fome, de doenças curáveis, de abandono.
Mas não se engane: isso não é falha do sistema.
É o sistema funcionando.
A guerra não é um acidente da civilização.
É um negócio altamente lucrativo.
Tem acionista.
Tem estratégia.
Tem marketing.
E, claro, tem discurso bonito para embalar cadáveres.
Galeano só fez o que poucos têm coragem:
tirou a maquiagem da barbárie.
E o que apareceu não foi heroísmo.
Foi comércio.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
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