A cadeira vazia - O quinto elemento: Ricardo Marques
A cadeira vazia
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão teve um personagem que talvez tenha sido mais comentado do que muitos dos que estavam no palco: Eduardo Braide,
justamente porque não estava lá.
Braide decidiu não participar do debate da Band.
Pode ter sido estratégia.
Talvez tenha calculado que, na posição eleitoral que ocupa, tinha mais a perder do que a ganhar naquele confronto.
Mas há um contraponto:
Orleans Brandão também aparece muito bem nas pesquisas e escolheu participar.
Não fugiu do debate.
São estratégias diferentes.
Braide preferiu evitar uma exposição em que provavelmente seria alvo dos adversários.
Orleans decidiu enfrentar o debate e os riscos que ele naturalmente oferece.
Não significa que um esteja certo e o outro errado.
O julgamento pertence ao eleitor.
Mas toda escolha política tem um preço.
Debate não serve apenas para candidato atacar candidato.
É um dos poucos momentos da campanha em que o eleitor pode comparar propostas, argumentos, temperamento e capacidade de reação de quem pretende governar o Estado.
Ao não comparecer, Braide evitou os ataques que certamente receberia.
Mas também abriu mão de responder aos adversários e de apresentar suas ideias diante deles.
E deixou uma cadeira vazia que, inevitavelmente, virou notícia.
Talvez a estratégia funcione eleitoralmente. Talvez não.
Mas quem pretende governar o Maranhão poderá escolher alguns debates dos quais participar.
Não poderá, porém, escolher os problemas que encontrará pela frente.
Na política, às vezes, a ausência protege. Outras vezes, fala mais alto do que a presença.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
O quinto elemento
Os alquimistas passaram séculos tentando descobrir o quinto elemento.
Algo acima da terra, da água, do fogo e do ar.
Uma substância invisível capaz de unir matéria e espírito.
Talvez procurassem o orgasmo.
Porque o orgasmo é uma das poucas experiências humanas em que o corpo parece ultrapassar os próprios limites.
Por alguns segundos, o pensamento se dissolve, o ego desaparece, o tempo perde sentido.
É carne, sim.
Mas talvez seja também transcendência.
Há quem trate o orgasmo como pura química:
hormônios, impulsos, instinto animal.
E há verdade nisso.
O desejo nasce no corpo.
Mas nem todo orgasmo é igual.
Existem orgasmos que apenas aliviam.
E existem aqueles que atravessam a alma.
Porque quando há envolvimento emocional, não é apenas a pele que toca a pele.
São medos, memórias, afetos e vulnerabilidades entrando em contato.
O desejo acende.
Mas é o sentimento que aprofunda.
Talvez por isso algumas pessoas passem a vida inteira confundindo intensidade com prazer.
E descubram tarde demais que o corpo pode até explodir sozinho — mas é o afeto que transforma explosão em eternidade.
No fim, talvez o orgasmo seja exatamente isso:
o raro instante em que a carne deixa de ser apenas carne.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
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