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PSB expulsa prefeito de Campestre do Maranhão após ameaça de demitir servidores que não votarem em Flávio Bolsonaro

PSB expulsa prefeito de Campestre do Maranhão após ameaça de demitir servidores que não votarem em Flávio Bolsonaro

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 11/08/2026 12:09 | 65 visualizações
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A Executiva Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) decidiu expulsar dos quadros da legenda o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda, após as declarações e manifestações políticas atribuídas ao gestor durante o processo eleitoral de 2026. Isso por que o prefeito teria ameaçado demitir funcionários municipais que não apoiarem Flávio Bolsonaro (PL) na votação em outubro.

A decisão consta na Resolução nº 008/2026, assinada pela direção estadual do PSB. O documento foi aprovado em reunião extraordinária realizada no último sábado (8) e registra que a deliberação ocorreu por unanimidade entre os membros presentes.

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Segundo a resolução, Fernando Bermuda cometeu “grave infidelidade partidária” ao atuar politicamente em favor de candidatos de outras agremiações, contrariando as orientações das instâncias dirigentes do PSB. O partido afirma que as manifestações do prefeito não se limitaram a uma preferência eleitoral individual, mas representaram uma atuação organizada em benefício de candidaturas de outros partidos.

A medida ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao prefeito nas quais ele teria ameaçado servidores municipais que não apoiassem candidatos de sua preferência. Entre as declarações divulgadas está a afirmação de que quem votasse no presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia perder o emprego após a eleição.

O caso ganhou repercussão nacional após reportagem revelar mensagens encaminhadas por Fernando Bermuda em grupos e canais de transmissão. Também circulou uma música produzida com inteligência artificial associando a permanência de servidores nos cargos ao apoio político ao candidato Flávio Bolsonaro.

Para o prefeito de Campestre do Maranhão, as mensagens que têm circulado em grupos da cidade são uma explicação do seu “ponto de vista sobre a política” e de como o município pode ser afetado com a manutenção do atual governo federal.

Campestre do Maranhão recebeu mais de R$ 185 milhões em recursos federais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Mesmo assim, Bermuda disse enfrentar problemas de ordem orçamentária em sua administração, que podem continuar caso Lula seja eleito para um quarto mandato.

Por isso, o prefeito prevê cortes no governo local em caso de derrota dos políticos que recebem seu apoio — que devem atingir, primeiramente, simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

PSB aponta afronta à direção nacional
Na resolução, o PSB destaca que a gravidade da conduta seria ampliada pelo fato de Fernando Bermuda exercer um mandato majoritário conquistado pela legenda. Para o partido, o cargo impõe ao prefeito um dever ainda maior de fidelidade às decisões e orientações partidárias.

A direção estadual também afirma que a atuação do prefeito contrariou a estratégia política nacional do PSB para as eleições de 2026, incluindo o apoio da legenda à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República.

O documento cita ainda dispositivos do Estatuto do PSB que estabelecem como dever dos filiados apoiar os candidatos indicados pelas instâncias partidárias, cumprir as decisões da legenda e observar a disciplina interna.

Expulsão e cancelamento da filiação
No artigo 1º da resolução, o PSB formaliza a expulsão de Fernando Bermuda com fundamento no artigo 9º, alínea “g”, do Estatuto Partidário. A decisão determina também o cancelamento da filiação partidária do prefeito.

Entre os fatores considerados para a aplicação da punição estão a condição de prefeito eleito pelo PSB, a atuação em favor de candidaturas de outras siglas, a afronta às orientações da direção estadual e nacional, a repercussão pública das declarações e o impacto sobre a estratégia eleitoral nacional da legenda.

A resolução também menciona que as condutas atribuídas ao prefeito apresentam, em tese, características de possíveis ilícitos eleitorais, incluindo abuso do poder político. O próprio documento ressalta, porém, que eventual apuração e julgamento desses fatos cabem à Justiça Eleitoral.

Com a decisão, a Executiva Estadual determinou que a expulsão seja comunicada à Direção Nacional, à Executiva Nacional e aos demais órgãos partidários para as providências administrativas e estatutárias cabíveis.

A resolução tem validade a partir de sua aprovação, em 8 de agosto de 2026.

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