"A RAZÃO DA POBREZA DOS NORDESTINOS".. - Pedro Barros
"A RAZÃO DA POBREZA DOS NORDESTINOS"...
Vou tentar explicar, dentro dos meus parcos conhecimentos, a razão da pobreza de boa parte dos nordestinos.
Comecemos pela origem do nosso povo, da Bahia ao Maranhão. Os primeiros habitantes desses estados são frutos de migração e de encontro forçado: europeus - portugueses, holandeses e franceses -, africanos trazidos para o trabalho escravo e os nativos, os índios. Dessa mistura nasceu boa parte do povo nordestino.
É preciso lembrar que o Nordeste não nasceu pobre. Nos séculos XVI e XVII, Pernambuco e Bahia foram as regiões mais ricas do Brasil graças ao ciclo do açúcar. Éramos a economia mais importante da colônia. A decadência começou quando perdemos competitividade para o açúcar do Caribe e, depois, quando a riqueza do café concentrou o capital no Sudeste.
No Sul e Sudeste, a partir do final do século XIX, esse capital do café, somado à imigração europeia e asiática e a um forte investimento do Governo Federal em ferrovias, portos e energia, permitiu a instalação das primeiras grandes indústrias do país.
Muitos dizem que o Nordeste não se industrializou por ser uma região árida e seca. O clima dificulta a agricultura, é verdade, mas não impede a indústria. O que faltou foi um projeto de nação que incluísse o Nordeste. Quando a SUDENE foi criada nos anos 1960 para tentar corrigir esse desequilíbrio, o Sudeste já tinha 50 anos de vantagem industrial.
Mas há um fator que, para mim, tem sido preponderante na manutenção da pobreza: as oligarquias políticas. Foram famílias abastadas que, desde o coronelismo, se instalaram no poder, concentraram terras e usaram o Estado como patrimônio particular. Cresceram os oligarcas e o povo ficou cada vez mais pobre, dependente e sem voz.
Daí vieram os programas sociais. Foram importantes e necessários para tirar nosso povo da fome extrema, e isso precisa ser reconhecido. Mas, quando não vêm acompanhados de escola de qualidade, qualificação profissional e emprego digno, acabam viciando parte da população na dependência.
Portanto, não considero o povo nordestino preguiçoso. Ao contrário. Vejo um povo trabalhador, que atravessou o país para construir São Paulo e Brasília, que empreende na dificuldade e que resiste à seca. Vejo um povo sem as mesmas oportunidades oferecidas às regiões desenvolvidas.
Infelizmente, essa falta de oportunidades produz uma inércia que atrela o povo a governos que, muitas vezes, sobrevivem justamente da manutenção da pobreza.
Espero ter contribuído de alguma forma. Sou nordestino com muito orgulho, mas não me curvo a políticos que sobrevivem da miséria dos outros.
Pedro Barros - Ex-funcionário do Banco do Brasil, aposentado.
Paz em Cristo,
Pedro Barros.
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