A vitória não governa sozinha - Ricardo Marques
Vencer a eleição foi uma etapa. Governar exigirá enfrentar três desafios que não cabem debaixo do tapete: contas públicas, segurança e relação com o Congresso.
Na economia, Lula precisará conter o crescimento dos gastos e combater desperdícios, preservando os serviços essenciais e a proteção aos mais pobres. Responsabilidade fiscal também é responsabilidade social: quando as contas se desorganizam, quem tem menos costuma pagar mais.
Na segurança, o Estado precisa recuperar os territórios onde as facções impõem suas próprias leis. Onde o crime decide quem pode circular, trabalhar ou abrir um comércio, a autoridade pública está sendo substituída. Enfrentar isso exige inteligência, combate ao dinheiro do crime e ação integrada com os governadores.
E, no Congresso, a vitória presidencial não assegura maioria parlamentar. Com uma composição mais à direita, Lula terá de dialogar, negociar e construir apoio para uma agenda que vá além dos interesses do próprio governo.
Esses três desafios se cruzam.
Sem equilíbrio nas contas, faltam recursos. Sem segurança, a população perde liberdade. Sem articulação política, as soluções ficam no papel.
O quarto mandato será julgado pela capacidade de transformar promessas em resultados.
Veja o Comentário do Dia em vídeo (aqui)
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE