VÍDEO: Policial atira em entregador que se recusou a subir em apartamento para entrega
https://www.youtube.com/watch?v=SJzc6GwvASE Momento em que policial atira em entregador no Rio de Janeiro foi filmado pelo motoboy e postado em suas redes sociais Um policial penal atirou no pé de um entregador do iFood após o motoboy se
Momento em que policial atira em entregador no Rio de Janeiro foi filmado pelo motoboy e postado em suas redes sociais
Um policial penal atirou no pé de um entregador do iFood após o motoboy se recusar a subir até a porta do apartamento do cliente para fazer a entrega.
O caso ocorreu no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (29). Em um vídeo gravado por Valério Souza, entregador do aplicativo, e compartilhado em seu Instagram, ele e José Rodrigo da Silva Ferrarini aparecem conversando na calçada em frente ao edifício.
É possível ver Ferrarini se aproximando e dizendo: “você não subir é uma parada”. Na sequência, o policial atira no pé de Valério. “O que é isso, cara?”, o entregador repete várias vezes após os disparos. “”O que é isso é o c…”, responde José Rodrigo, desdenhando a situação.
O entregador, então, passa a gritar por ajuda. Nas imagens, é possível ver que ele começa a sangrar enquanto o policial exige que ele entregue a encomenda. Depois disso, a imagem fica toda preta e só é possível ouvir Souza relatando para um terceiro que tomou um tiro porque “não subiu”.
No post do Instagram, Souza declarou: “o cliente não aceitou que eu recusei ir a casa dele para entregar o pedido. E o ocorrido aconteceu…Infelizmente estamos acostumados a ver isso apenas em televisão… Até acontecer com nós mesmo… Que a justiça seja feita!!”.
O que dizem as partes envolvidas
O Estadão não conseguiu contato com Ferrarini nem com a sua defesa. O espaço está aberto.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por sua vez, informou que o caso é investigado pela 32ª DP e que a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito. Souza foi socorrido ao Hospital Municipal Lourenço Jorge e seu estado de saúde é estável, de acordo com a Secretaria da Saúde.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a arma do policial penal foi recolhida e será periciada. Testemunhas estão sendo ouvidas e “outras diligências estão em andamento para esclarecer os fatos”. A corporação, contudo, não informou se o policial chegou a ser detido.
A SEAP (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Rio confirmou que Ferrarini faz parte dos seus quadros e está na ativa, mas ressaltou que a conduta do servidor “ocorreu fora do exercício de suas funções”. A pasta condenou a atitude do policial.
A secretária da SEAP, Maria Rosa Nebel, afirmou, em nota, que a pasta “não compactua com esse tipo de conduta abominante”.
“Nossa Corregedoria acompanha o caso junto à delegacia de polícia e nos solidarizamos com o rapaz vitimado.”
O líder de diálogo com entregadores no iFood Brasil, Johnny Borges, também lamentou o episódio.
“É lamentável como a gente foi impactado hoje de manhã pelas cenas de violência que aconteceram com o entregador Valério na noite de ontem, durante uma entrega. A gente tá aqui pra dar todo o apoio ao Valério. Estamos apurando o caso para tratar com a seriedade que merece”, declarou.
Ele afirmou ainda que a plataforma está dando respaldo jurídico e psicológico ao entregador e pediu paciência aos trabalhadores para apurar todos os detalhes desse caso. “Que casos como esse nunca voltem a se repetir”, afirmou nas redes sociais.
O entregador tem ou não que subir até o apartamento?
Segundo Diego Barreto, CEO do iFood, “a obrigação do entregador é entregar no primeiro ponto de contato que existe na residência da pessoa. Se for no condomínio, esse ponto é a portaria. Essa é a recomendação dada para os entregadores e a comunicação passada para os consumidores”.
Para difundir essa ideia e promover o respeito aos entregadores, o iFood criou a campanha #BoraDescer, uma maneira de incentivar os clientes que moram em prédios a receber o pedido na portaria – Foto: Banco de Imagens/ND
Segundo o blog do aplicativo, “descer para receber o pedido em vez de pedir para o entregador ou entregadora subir até o apartamento traz mais segurança para todos”. “Isso não só agiliza a entrega em si como demonstra respeito ao trabalho do entregador ou da entregadora”, diz.
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