Uma sessão ordinária exemplar - Sílvio Cunha
Pois é, caro leitor! Não é que as crises servem às vezes para modificar os panoramas políticos. Pois bem! O confronto entre
vereadores de situação e de oposição, na Câmara Municipal de Caxias (CMC), arrefeceu nesta última segunda-feira, 23. Em uma
situação na qual os governistas vêm sendo acossados pela população, porque a gestão do município parece que não atende suas reivindicações, demandas que provém do eleitorado, e a exposição dessas mazelas reverberadas no plenário do legislativo pela oposição, a maioria da bancada, em regime de bom senso, resolveu compartilhar os erros e acertos do que está acontecendo no município, simplesmente utilizando diálogos e debates nos pronunciamentos.
O que ocorreu na primeira sessão ordinária do legislativo, nesta semana, foi, assim, algo inédito na política da cidade. E o que se
assistiu foram parlamentares da bancada do governo reclamando fortemente das ações encetadas ou pouco encetadas pelo
governo municipal. Ninguém teve a coragem de acusar o prefeito José Gentil Neto (PP) de nada. A carapuça da insuficiência
restou para o secretariado, muitos dos quais, segundo eles, não conhecem o clima político da cidade, razão por que costumam
agir em discordância com as demandas da população reclamadas pela classe política, agentes que, em verdade, têm maior
proximidade com o povo e com ele interage mais.
A turma da oposição nem se preocupou em avaliar a reflexão colocada em plenário por seus adversários, até porque sabe das
dificuldades que a assessoria do governo enfrenta, aqui e acolá vista sob a suspeita de ser pouco confiável para manejar dinheiro
público. Dessa forma, sob pulso de ferro, assessores já nem ousam tomar as iniciativas de ação em suas pastas, enquanto os
problemas demandados vão se acumulando por todo o município. Estradas rurais esburacadas e com atoleiros, vias da cidade em igual estado, sobretudo, agora, em tempo de fortes chuvas. Em contrapartida, a assessoria de comunicação oficial reverbera nas redes ações que estariam sendo implementadas, tentando demonstrar a eficiência da gestão.
adro da Igreja Catedral de Nossa Senhora dos Remédios. Conforme o parlamentar informou, ele mesmo sempre envolvido no
movimento desde a primeira edição, a organização levará para as ruas um evento esmerado, à altura da posição de segundo
lugar conquistado dentre cerca de 20 cidades brasileiras que realizam procissões do gênero na Semana Santa. Por conta da
distinção, Caxias inclusive receberá em outubro ou novembro delegações desses municípios que promovem procissões do
fogaréu para uma grande reunião na cidade.
Provocados pelo vereador Catulé (PL), que na ocasião reclamou da falta de debates na casa, mesmo em face das muitas
manifestações que são externadas principalmente no pequeno expediente das sessões, quando muitos oradores se inscrevem
para falar alguma coisa, toda a bancada decidiu sair da acomodação, proporcionando saudáveis discussões a respeito da vida do
município na atualidade.
O presidente Ricardo Rodrigues (PT) chamou a atenção dos pares para situação em que se encontra a antiga ponte de cimento,
que interliga o centro histórico ao bairro Trizidela. Inaugurada em 1950, segundo destacou o vereador Catulé, a ponte, em
concreto armado, face ao grande volume de veículos que a utilizam diariamente, incluindo-se carretas de alto peso, pode estar na iminência de ruir a qualquer momento, a exemplo do que já aconteceu aqui mesmo no Maranhão, em ponte situada na divisa do
estado com Tocantins.
A denúncia de Ricardo Rodrigues é mais do que pertinente, até porque qualquer transeunte que passa pelo local constata que
muitos vergalhões já estão expostos em diversos lugares da ponte, rompendo a barreira de cimento. Afinal, a obra foi entregue há76 anos. Claro que a reivindicação é direcionada ao poder público municipal, uma vez que por ali não converge mais a estrada
federal que antes cruzava Caxias nas décadas de 1960, 1970 e 1980, após a inauguração do contorno rodoviário. O problema,
entretanto, não é de hoje, é antigo, e há lembrança da gestão da ex-prefeita Márcia Marinho, que na época optou por proibir a
passagem de veículos pesados pelo local. Placas de advertência inclusive chegaram a ser afixadas nas duas cabeças da ponte.
Como as tais placas de advertência sumiram do lugar, os vereadores passaram então a discutir sobre fatos que de alguma forma
estão relacionados à circulação de veículos dentro da cidade. A falta de fiscalização nas ruas é a questão mais evidente,
sobretudo quando se leva em conta ações realizadas em outras cidades maranhenses, como na vizinha Timon, por exemplo. Lá,
ninguém desrespeita a velocidade estabelecida nas ruas e avenidas, pois há fiscalização eletrônica e o condutor é multado se
infringir a velocidade estabelecida. É como explicou o vereador Catulé, ressaltando que multa de trânsito tem de ter a mesma
função das multas que são cobradas por bancos ou por atrasos em carnês de pagamento. Se a pessoa não paga em dia, leva
multa e juros. É uma forma de conter o ímpeto de quem não gosta de obedecer às placas de trânsito. Mas o maior gargalo da
situação, para os caxienses, é que não existe fiscalização efetiva em locais onde os condutores mais burlam as leis, como nos
semáforos.
E por falar em semáforo, parlamentares governistas criticaram a instalação de um equipamento desses na praça Cesário Lima,
também conhecida por praça dos Três Corações. O sinal estaria atrapalhando a circulação de veículos e causando
engarrafamentos. Do nosso ponto de vista, não é o equipamento que causa transtorno na área, mas sim os veículos que são
deixados em estacionamento irregular e mesmo descumprindo as placas afixadas naquele entorno do centro de Caxias. E aqui,
como não há fiscalização e reboque para retirar veículos, a coisa corre solta. Em resumo: Caxias está sem mobilidade no trânsito
nos horários de pico, até porque não ocorreram investimentos em vias alternativas nas últimas décadas.
Outro assunto que veio a debate, durante a sessão, foi uma premiação na área da educação conferida recentemente ao
município. Os vereadores oposicionistas contestaram a notícia, dando a entender que esse prêmio tem o mesmo valor daqueles
organizados por algumas empresas suspeitas que andaram por Caxias tempos atrás. Segundo eles, foi a época em que
repartições e comércios em geral recebiam placas que diligentemente eram afixadas para destacar a importância do
homenageado.
O vereador Wesley Coutinho demonstrou que Caxias não poderia ser premiada com uma distinção do gênero porque o ideb daeducação do município continua baixo. Na verdade, a cidade tem investido muito na sua rede escolar, construindo novas escolasconfortáveis ou recuperando outras da educação básica, mas as notas dos alunos, nas avaliações de matemática e português,
seguem baixas. Se elevadas, é esse resultado que diz que a educação de uma cidade vai bem. Catulé ofereceu aparte,
ressaltando que a melhoria física da rede escolar de Caxias se deve a mais de 300 milhões de reais que chegam aos cofres do
município, anualmente, um dinheiro que não pode ser devolvido, sob pena do município sofrer cortes no orçamento. Por causa detão expressiva verba, no entendimento do parlamentar, é que estão acontecendo brigas silenciosas dentro do governo municipal,que chegaram ao ponto de uma assessora destacada da educação pedir exoneração do cargo, temendo eventual envolvimento
em falcatruas.
Os vereadores Daniel Barros (PRD), Dr. Eugênio Freitas (AGIR), Sansão Pinheiro (PP), Luís Fernando (PSB), Darlan Almeida
(PP) e Fernando Amorim (PMB), também estiveram entre os que se manifestaram na reunião. Na quarta-feira que passou, apenas
Amorim usaria a palavra, para denunciar que, passados 19 dias, o caso de uma senhora de meia idade que foi assassinada
dentro da sua própria casa no povoado Barro Vermelho continuava sem esclarecimento, reclamação que partiu de familiares e da
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