Gestão de fachada - Ricardo Marques
Há um fenômeno curioso na política brasileira: o gestor que governa para o Instagram — e não para a cidade.
Eduardo Braide construiu, com habilidade, essa imagem polida de “bom gestor”. Vídeos bem editados, anúncios em série, obras entregues com pompa, fita e aplauso. Tudo muito bonito… até a chuva cair. Até o tempo passar. Até a realidade aparecer.
Porque obra boa não é a que inaugura bem.
É a que resiste.
E o que se vê agora, mal encerrado o ciclo, é uma espécie de “arqueologia do improviso”: drenagens milionárias que não drenam, escolas reformadas pela metade, intervenções que já pedem reparo antes mesmo de serem esquecidas.
Braide vendeu a cidade como um ilusionista — o truque era bonito, o resultado… nem tanto.
É o milagre da engenharia reversa: gasta-se milhões para voltar ao ponto de partida.
A cidade, que parecia cenário instagramável, revela seus bastidores. E eles não são nada cinematográficos.
Porque gestão de verdade não se mede por likes.
Se mede pelo que fica — e, sobretudo, pelo que não desmorona.
Enquanto isso, Esmênia Miranda tenta governar sobre os escombros — políticos e administrativos — de uma gestão que vendia solução — e entregou problema.
E é preciso reconhecer: a prefeita tem se virado nos trinta para administrar o legado.
Como eu disse outro dia: Esmênia vai comer o pão que o Braide amassou.
E o martírio dela está só começando.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
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