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Deixa um legado de obras e amigos: ALBERTO JURACY PESSOA SOBRINHO (Caxias - MA, 02/12/1961 – Brasília – DF, 25/04/2026)

Deixa um legado de obras e amigos: ALBERTO JURACY PESSOA SOBRINHO (Caxias - MA, 02/12/1961 – Brasília – DF, 25/04/2026)

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 26/04/2026 18:07 | 48 visualizações
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“Eu vou vencer —
e quando a vitória chegar,
será apenas o começo
de um novo caminhar.”
(ALBERTO PESSOA, poema “Eu vou vencer”, 2025)

*

Às 11h30 deste domingo, 26 de abril de 2026, o corpo do jornalista e escritor caxiense Alberto Pessoa será sepultado em mausoléu da família, no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. Alberto Pessoa faleceu às 13h20 de ontem, no Hospital de Base de Brasília, em razão de endocardite, uma inflamação do tecido humano que reveste o músculo do coração, essencial para a circulação do sangue. O texto abaixo, atualizado, conta um pouco da vida e obra desse filho de Caxias.

*

Estico o olhar para um móvel ali adiante, ao alcance das vistas, e diviso um pequeno recipiente contendo um óleo translúcido, amarelo. É a lembrança do gesto amigo, alegre, bonachão, do jornalista e escritor Alberto Juracy Pessoa Sobrinho. Ele me ofereceu aquele óleo  --  segundo ele, medicinal (já nem sei para o quê) --  em uma de nossas longas conversas e caminhadas pela parte “velha” da terra mãe dele e minha... Caxias.

Caxiense daqueles que não só nasceu em Caxias mas que Caxias nasceu nele, Alberto Pessoa, como escritor e jornalista, deixa de repassar histórias... e, como personagem, passa para a História.

Neste 25 de abril de 2026, aos 64 anos e 144 dias de idade, Alberto Pessoa muda para o outro lado da Vida. Uma Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital de Base de Brasília, na Asa Sul da Capital Federal, foi o local de seu suspiro derradeiro. Não pôde escolher, como o pôde seu colega poeta e conterrâneo caxiense Gonçalves Dias, primeiro ver a terra mátria para, depois, morrer.

Nascido em 2 de dezembro de 1961, em Caxias, Alberto Pessoa foi daquela nossa turma da Vila Pinduca, na Rua Bom Pastor, centro da cidade, de costas para o rio Itapecuru e perto do Cai n’Água, um conjunto de casas simples, transformado em uma espécie de cabaré, no final de uma rua transversal que terminava no rio. Se, em razão de cachaça e de mulher, ou das duas, houvesse briga  -- e sempre havia... --, o jeito, para alguns, era correr ou pular para dentro do Itapecuru. Daí, “Cai n’Água”...

Na turma da Vila Pinduca (mas este conjunto de cinco casas era só a referência) se juntavam moças, rapazes, amigos. Entre os homens, a formação de times de futebol. Jogar bola. Alberto Pessoa era um destes peladeiros. Deve reencontrar alguns deles nos campos dos Céus...

*

O jornalista, articulista, contista, cronista, poeta nasceu no povoado São Pedro, um das centenas que ainda hoje formam a rica zona rural de Caxias. Alberto foi um dos onze filhos de Dona Maria de Jesus Carvalho Pessoa e Seu Jesus Pearce Pessoa, conhecido por Zuzu Pessoa, que, como agricultor, colhia safras e, como delegado de Polícia, recolhia salafras. 

Pelos nomes paternos, genitores santificados: além do duplo “Jesus”, o nome da mãe d’Ele (Maria) e seu principal apóstolo, Pedro (correspondente a “Pearce”, da Normandia, vindo do francês “Piers” / “Pierre”, todos com origem no latim “Petrus”, Pedro). O nome Alberto Pessoa Juracy Sobrinho, como se vê, veio de um tio paterno, irmão de seu Zuzu Pessoa. 

No Maranhão, Alberto Pessoa Sobrinho formou-se em Geografia e, em Brasília, bacharelou-se em Comunicação Social (Jornalismo). Ainda em Caxias o Jornalismo lhe chegou antes mesmo do diploma. Foi sua maior e melhor escola. No Maranhão, Piauí e Distrito Federal, foi repórter e redator, editor e diretor. Seu último filho de celulose e tinta (e “bits” digitais) era uma adorada caçula: a revista “Nova Imagem”, para a qual me convidou como colaborador, cronista e articulista. A “Nova Imagem”, em papel e no “écran”, tem realmente uma imagem nova, boa, levando para o País e o mundo grandes histórias e outras apontamentos dos mundos mais interiores, da hinterlândia nordestina, do Centro-Oeste, das retroterras dos brasis.

Jornalista e poeta, distinguia-se também na crônica. Seus livros de contos e crônicas  --- “Da Estrada” (Editora Segatto, 2016) e “Trilhas” (Scortecci, 2022) trazem ricos registros sobre as cidades nas quais sua família e ele habitaram. Sobre Caxias e Matões, nomes, ambientes, situações brotam pois esses municípios lhe são fontes de boas águas memoriais. Entre os caxienses, se aparecem nomes famosos como Aluízio de Abreu Lobo, Hélio de Souza Queiroz, Jadihel de Carvalho, José Ferreira de Castro, entre outros, também assumem lugar de escrita e de fala as gentes simples do entorno de vida albertiano: Dona Agostinha, Seu Altino, professor Arimatéia, Bill, Firmina Flor, Francisquinho, Dona Joana, Jura, Riba do Aderbal, Zeca Moura, Zeca Velho, Zé Filho, Zé Gordinho... Um abecedário de pessoas e lugares que a infância faz o adulto não esquecer...

Os livros do Alberto lembram de outras gentes amigas e distintas que povoaram diversos lugares de sua  -- e também da minha --  mente, de criança, de rapaz e de sempre: o músico e extraordinário violinista (e meu grande amigo) Hermógenes de Almeida Moura e seus irmãos Alberto, Moura e Robertinho, além do aclamado cantor Siqueira. A mestra Filomena Machado Teixeira, a Tia Filó ou Tia Filozinha, minha professora de História e vizinha de residência. O Vítor Gonçalves Neto, referência terna e eterna do Jornalismo caxiense (“O Pioneiro”, “Folha de Caxias”), amigo pessoal. Luiz Gonzaga de Abreu Sobrinho, amigo nosso e colega colunista, pois nós dois escrevíamos em espaços próprios no “O Pioneiro”, o jornal caxiense dirigido pelo Vítor. 

Alberto e eu conversávamos muito. Por telefone ou quando vinha de Brasília para rever a cidade, os familiares, os amigos. Andávamos os dois pelo centro histórico de Caxias, por onde, em geral, nossos pés peraltas perambularam, andaram, correram, chutaram... 

E sequer desconfiava de que o Alberto, com aquele aspecto mais forte e alto, brigava contra males que lhe minavam a vida cheia de ações e de planos. Convidou-me para um grande projeto sobre os 200 anos de Gonçalves Dias. Pediu-me e eu autorizei que meu nome integrasse a documentação oficial, em razão de minha experiência com coisas desse gênero. Que a obra resultante do projeto iríamos lançar em Portugal e eu iria fazer uma palestra em Coimbra, onde Gonçalves Dias estudou. Que isso, que aquilo. Um homem que sonhava realizações e realizava sonhos. O projeto foi aprovado. Mas a vida tinha outros planos...

Como disse, não sabia das lutas interiores do Alberto Pessoa. De sua cirrose hepática crônica. Da “perda de sono, falta de apetite, fraqueza”. Dos “meses de idas e vindas” a hospitais. Do, enfim, transplante de fígado em Brasília, de um anônimo doador do Paraná. Eu não sabia, mas Alberto não fazia segredo disso  ---  tanto que contou isso e mais em um de seus livros mais recentes. (Em um deles, Alberto me brindou transcrevendo trecho de texto que fiz sobre um amigo comum nosso.)

Aí, chegaram, um atrás do outro, os AVCs, acidentes vasculares no cérebro.... Chegaram alterações no coração e problemas nos brônquios... Alberto vai para o hospital... Alberto vai para os exames... Alberto muda de hospital... Alberto vai para a UTI... E, às 13h20 de 25 de abril de 2026, Alberto vai para sempre...

Mas Alberto não se foi sem luta  --- pois esta é a marca de guerreiros. Em fevereiro, para visitar um enteado, foi com a mulher, Luciene, a Rio Verde, próspero município de Goiás. Rio Verde o impressionou bastante, pelo desenvolvimento. Mas, ali, saindo da furtividade, algo desta vez o pressionou: o primeiro AVC. Em razão do horário do acometimento, perdeu-se a janela de até quatro horas para o adequado atendimento e medicação. De retorno a Brasília, sessões de fisioterapia. Recuperou-se. Uns dez dias depois, em um grupo de oração em sua casa, novo AVC, desta vez com desvio de rima  ---  e isto tem nada a ver com o fato de Alberto ser poeta... Trata-se de uma paralisia na face, com comprometimento labial. Em razão do tempo de intervalo entre os dois AVCs, não se recomendava trombolizar o paciente, ou seja, não fizeram a terapia trombolítica, que é a administrar medicamentos para dissolver coágulos sanguíneos. Aí, na madrugada de 20 de março, o terceiro AVC  --- que, desta vez, trouxe ao jornalista a afasia de Broca, uma perturbação da linguagem (fala e escrita), em razão de algum comprometimento cerebral (pronuncia-se “broká”, do nome do médico francês Pierre Paul Broca, estudioso do assunto, no século 19). Fez novos exames, mais medicação. Saiu andando e só apresentou dificuldade para dormir, o que foi resolvido com medicamentos. 

Aí médicos do hospital da Rede Sarah perceberam que um dos exames apresentava uma espécie de alteração no coração. Foi assim que, em 15 de abril, Alberto foi para o Hospital de Base de Brasília, onde especialistas fizeram o diagnóstico: o intelectual caxiense estava com uma endocardite infecciosa, uma inflamação no endocárdio, o tecido humano que reveste o miocárdio, músculo do coração fundamental para a circulação do sangue. O corpo de Alberto, a essa altura com a imunidade comprometida, sofria com o comprometimento do coração pela endocardite (que era a origem dos AVCs) e, em razão de bactéria oportunista, sofria com a inflamação dos brônquios, os canais que levam o ar aos pulmões. Alberto passou a não respirar direito. Foi entubado. Dez dias depois, o alívio de tudo: a Eternidade lhe chegou.

Alberto Pessoa teve toda a assistência familiar e médica possível em Brasília. Exames, diagnósticos, medicação, terapias, visitas diárias... Mas o corpo do guerreiro estava cansado e não aguentava mais carregar a imensa alma daquele caxiense. 

Em razão dos cuidados e outras providências, médicas, legais e administrativas, a família de Alberto Pessoa recebeu a comunicação do Hospital depois das 14h de 25/04/2026. Enquanto isso, familiares e amigos em diversos pontos do País se atarantavam com registros que ora informavam o falecimento do jornalista, ora negavam... O traço de união nisto era: todos queriam o restabelecimento de Alberto Pessoa. No cipoal de dúvidas, eu liguei, contatei, falei com amigos e familiares de Alberto em Caxias, Teresina, São Luís, Brasília... Só para o Hospital de Base, no Distrito Federal, liguei uma meia dúzia de vezes  --- chamadas transferidas ora para “internação”, ora para “secretaria de UTI”, “administração geral” etc. etc. Invariavelmente, caía a chamada. Foi aí que Luciene Martins, mulher de Alberto, com quem eu já mantivera contato, escreveu-me no meio da tarde: “Infelizmente, não teve jeito”. O emoji, o ícone digital para expressar emoções, derramava as lágrimas que, por óbvio, inundavam o coração e a alma da devotada esposa Luciene, também querida pelo casal de enteados, Jesus Pearce e Ana Laísa.

“Infelizmente, não teve jeito”. Quatro palavras ainda nas quatro horas da tarde...

A “causa mortis” oficial, médica: “Endocardite infecciosa”. Nada, nenhuma relação com o transplante de fígado de anos antes, aliás, bem-sucedido, com Alberto tendo, à época, retornado à normalidade de seu dia a dia.

*

Alberto Pessoa mal tinha completado um ano de sua segunda união, com a empresária caxiense Luciene Martins. Há cerca de cinco anos enviuvara de Dona Maria de Lourdes Machado Pessoa, com quem teve dois filhos, nascidos em Caxias, ambos servidores públicos do Distrito Federal: Jesus Pearce Pessoa Neto, advogado e professor de Filosofia; e Ana Laísa Machado Pessoa, assistente social e professora de LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais. Ana Laísa deu a Alberto um neto, que herdou como primeiro e segundo nomes o nome normando do bisavô e sua versão em italiano: Pietro Pearce, nomes oriundos do latim “Petrus”, Pedro. Pietro tem 13 anos e praticamente foi criado por Alberto, a quem o neto chama de pai, ante o tanto que com o avô (con)viveu e o tanto que com ele aprendeu. Nascido em Brasília, Pietro quer porque quer ser caxiense... Como se vê, o menino, por herança familiar e por essa “opção” pessoal, é mesmo um Pessoa inteligente...

Alberto Juracy Pessoa Sobrinho deixa um bom legado imaterial aos familiares, aos amigos, aos lugares de sua vida. Deixou vários livros, inclusive diversas antologias. Deixou textos em jornais e revistas e nos espaços digitais da Internet e das multiplataformas de mensagens instantâneas, tipo WhatsApp. Sobretudo, Alberto deixa exemplos. Bons exemplos.

Alberto deixou a marca de sua presença e participação nas entidades de que era membro, Brasil adentro e afora, entre elas as de Caxias e da Capital maranhense, onde era meu confrade: Academia Caxiense de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, e, em São Luís, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, do qual era sócio correspondente. 

Outras Instituições tinham a satisfação de tê-lo. Outras, tiveram a satisfação de, em vida, homenageá-lo. 

Quem sabe aqueles tantos homens e mulheres, jovens e crianças que Alberto Pessoa eternizou em seus livros e que já migraram para o Alto não compareçam aos portões celestiais para recebê-lo e tranquilizá-lo: “--- Fique em paz, Alberto. Aqui você também está em casa, também está entre amigos.”

Em um dos seus livros, “Trilhas”, de 2022, ao lembrar de sua vida em um povoado de que tanto gostara, Alberto Pessoa escreveu: “Foi no Infinito que eu vivia feliz e não sabia.”

Pois é, Alberto, eis que você retorna para o Infinito.

Para o Infinito...

...e para a Eternidade...

Será um novo caminhar.

Seja (novamente) feliz.

Paz e Luz, Amigo.

EDMILSON SANCHES
Administração – Biografias - Comunicação - Desenvolvimento - História – Literatura – Motivação. PALESTRAS – CURSOS – CONSULTORIA - Contato: edmilsonsanches@uol.com.br

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