Vidas urbanas - Ribamar Rodrigues
E tudo parecia tranquilo, tão seguro,
quando eu voltava para casa após um dia exaustivo.
Naquela rua triste, em uma noite escura e turva,
as luminárias estavam apagadas.
De repente, do nada,
da mata à margem da estrada,
surgiram dois garotos com armas de fogo em punho,
gritando:
— Perdeu! Perdeu! Perdeu!
E, para mim, era como se eu não entendesse;
tudo parecia uma brincadeira.
Mas que brincadeira que nada!
Logo senti a boca de um cano curto.
Não se via sequer um vulto:
um mascarado, outro de cara limpa.
Tudo foi tão tenso
que sequer consigo pensar
no que realmente se passou naquele momento...
Então, tomaram posse
de tudo o que eu possuía.
Na escuridão da noite,
na triste solidão,
fiquei apenas com a esperança
de que o Justo Juiz
há de fazer justiça
por aquilo que perdi.
A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
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