Assombros ininterruptos - Sílvio Cunha
Esse mundo de Deus é mesmo cheio de surpresas! Os arautos dos periódicos da informação já haviam percebido isso há muito tempo. É que a vida das pessoas, os fatos relacionados à vida em sociedade, mesmo o planeta Terra, estão suscetíveis a novos acontecimentos a todo momento. Às vezes, um segundo basta para que toda uma situação real se transforme em outra realidade. É o dinamismo da vida que impulsiona a humanidade.
Na política de Caxias, por exemplo, o contexto atual passava pelo período de mais uma edição dos jogos escolares, que este ano reúne, segundo informações oficiais, cerca de três mil estudantes. Por conta da festa de abertura, no Ginásio de Esportes Governador João Castelo, final da tarde de quarta-feira 27, na praça de São Sebastião, não houve sessão legislativa na Câmara Municipal de Caxias. Um debate provocado pelo vereador de oposição Daniel Baros (PRD), que se autointitula ‘Fiscal do Povo’, chamou os pares na segunda-feira 25 a procederem uma investigação sobre algo que está acontecendo no sistema municipal de saúde.
Da tribuna da casa, o vereador instou os pares a fazerem uma investigação a respeito de operações policiais no vizinho Piauí, dentro das quais o nome do prefeito de Caxias é citado como parte de operações realizadas por empresa do ramo de medicamentos, ligadas às tais emendas do orçamento secreto produzidas a partir da Câmara Federal, em Brasília. Nas redes sociais, via internet, circularam áudios através dos quais operadores se cientificam dos pagamentos realizados com emendas destinadas a Caxias, que não cumpriram os ritos previstos pela organização. O papo dá uma ideia do que realmente acontece com essas tais emendas. Sabe-se que dinheiro específico vem para o município, mas nem sempre fica por aqui, de acordo com a cartilha estabelecida por organização que é investigada pelo ministério público e a polícia, uma vez que se trata de prática de crime organizado.
Não obstante, ainda sem sabermos se o tal caso vai ser investigado pela CMC, eis que outro assunto intempestivo relacionado à política local emerge do noticiário. Após o resultado da votação de projeto de lei do presidente Lula na Câmara Federal, propondo o fim da escala de trabalho 6x1, mediante a qual os trabalhadores brasileiros eram obrigados a trabalhar de segunda à sábado, tendo somente um dia para o descanso semanal (a emenda que vai agora à consideração do Senado da República pretende a escala 5x2, com os trabalhadores propensos agora a ganharem dois dias de folga na semana), a informação de que o deputado federal Paulo Marinho Júnior (PL)) foi o único do nordeste a votar contra a emenda caiu como uma bomba no Maranhão, mas principalmente em Caxias, onde o político tem a sua maior base de sustentação e inclusive concorreu ao cargo de prefeito nas últimas eleições municipais.
O voto do deputado federal PMJr. foi o tema mais explorado na semana que passou em São Luís. Chamou a atenção que a notícia tenha sido destacada na TV Mirante, fechando o noticiário político. Quem acompanha a vida do clã Marinho, sem dúvida, achou estranho esse fato, dada as ligações estreitas de amizade que a família Sarney tem com ele. Causou surpresa, mas não é coisa que não possa ser assimilada, vez que PMJr. ora não veste a camisa do presidente Lula, entrincheirado nas hostes do Partido Liberal (PL), maior suporte da direita brasileira que segue a cartilha da família Bolsonaro. Então, foi uma advertência, um puxão de orelha nos antigos aliados?!!! Só o tempo nos dirá...
Ocorre que o posicionamento do deputado federal não ficou restrito somente a São Luís, ele chegou com estrondo em Caxias. E o que se viu foram os adversários correndo para espalhar grandes cartazes (outdoors) por toda a cidade. A ideia das mensagens foi no sentido de levar a população a entender que PMJr. votou contra os trabalhadores, fazê-lo desmerecedor da grande quantidade de votos que recebeu nas últimas eleições municipais. Uma eleição cujo resultado foi contestado por ele mesmo na justiça eleitoral, e na qual, em primeira instância, ganhou pelo processo em que pediu a cassação da chapa do prefeito Gentil Neto (PP) e do ex-prefeito Fábio Gentil (PP), por abuso de poder político e econômico, reivindicando novas eleições municipais, obviamente sem o concurso dos processados, inelegíveis por oito anos.
Os que viram os cartazes, primeiro acreditaram que o PT caxiense estivesse por trás da operação. Mas se enganaram, porque logo muitos vídeos ganharam as redes sociais mostrando que o trabalho talvez tenha sido urdido no próprio gabinete do prefeito Gentil Neto, conforme imagens demonstradas por seguidores do deputado federal que acompanharam o trabalho de colocação dos outdoors, desde os locais escolhidos até à sede da empresa responsável pela divulgação, a maior que a cidade possui nesse campo da comunicação social. Dá para acreditar que o ato foi uma vingança contra as vitórias que PMJr. vem obtendo sobre o grupo político no poder caxiense.
No último sábado as ações tiveram continuidade. Desta feita, com a suspeita de que eventuais apoiadores de Paulo Marinho Júnior estavam rasgando cartazes ou mesmo serrando placas de exposição, com grande prejuízo, claro, para os proprietários. Quer dizer: a problemática tem tudo para evoluir do ensejo político para a esfera judicial, já que terceiros restaram prejudicados pelas ações.
Do ponto de vista da comunidade, há a perspectiva de que o deputado talvez tenha tido suas razões para votar contra a PEC 6x1, mesmo que o seu voto em nada tenha modificado o resultado do plenário da Câmara dos Deputados. Outro ponto de vista reflete que ele forneceu munição para seus adversários usarem contra ele, no âmbito de uma batalha que ele vinha ganhando com folga, haja vista que pode ganhar também em segunda instância do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.
Então, e se vier uma nova eleição e os trabalhadores não votarem mais nele?! Vamos aguardar o desdobramento do caso ao longo da próxima semana. Os que estão na planície e não participam dos movimentos, com certeza dormem tranquilos todos os dias. O que não sabemos ainda é como anda o sono dos que se imiscuíram em situações vexatórias como as que estão ocorrendo no momento em Caxias. Eita cidade repleta de surpresas que nos chegam a toda a hora! Assombros ininterruptos, na verdade, posto que provocam abalos de grande impacto.
A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE