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68 prefeitos renunciam aos cargos para disputar essas eleições, maior número em 20 anos

68 prefeitos renunciam aos cargos para disputar essas eleições, maior número em 20 anos

Levantamento aponta que 35 ex-prefeitos tentam vagas nas Assembleias, enquanto 16 disputam governos estaduais e outros 12 buscam a Câmara dos Deputados

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 01/09/2026 11:43 | 47 visualizações
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Um total de 68 prefeitos eleitos em 2024 renunciou aos mandatos neste ano para
disputar outros cargos nas eleições de 2026. Segundo levantamento da Folha com
base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número é o maior registrado em
duas décadas e mostra o movimento de prefeitos que decidiram acelerar suas
carreiras políticas.
A maioria dos ex-prefeitos, 35, tenta uma cadeira nas Assembleias Legislativas.
Outros 16 concorrem aos governos estaduais, sendo 10 deles ex-prefeitos de
capitais. Há ainda 12 candidatos que deixaram as prefeituras para disputar vagas na
Câmara dos Deputados, dois que concorrem ao Senado e três que buscam o cargo
de vice-governador.
O crescimento dessa movimentação vem sendo registrado desde 2014. Naquele ano,
16 prefeitos eleitos dois anos antes renunciaram para participar da eleição geral. Em
2022, foram 48 casos, número que agora chegou a 68.
Segundo mandato concentra maioria das renúncias
Dos 68 prefeitos que deixaram os cargos, 61 estavam no segundo mandato. Para o
cientista político Victor Escobar, pesquisador do Laboratório de Partidos, Ele

Política Comparada, da UFRJ e UFRRJ, a mudança de cargo faz parte da evolução
natural das carreiras políticas.
A expansão das emendas parlamentares também pode ter contribuído para tornar os
mandatos legislativos mais atrativos, embora o pesquisador ressalte que esse não
seria o único fator responsável pelo aumento das renúncias.
A legislação eleitoral exige que prefeitos que pretendam disputar outros cargos
renunciem ao mandato até seis meses antes do primeiro turno. Para as eleições de
2026, o prazo terminou em 4 de abril.
Wladimir Garotinho deixa prefeitura para disputar a Câmara
Entre os casos de maior repercussão está o de Wladimir Garotinho (PL-RJ), que
deixou a Prefeitura de Campos dos Goytacazes para concorrer a uma vaga na
Câmara dos Deputados.
O ex-prefeito afirma que pretende ampliar a representação do Norte e do Noroeste
Fluminense no Congresso. Segundo ele, a atuação parlamentar não deve ficar restrita
à busca por emendas, mas também envolver a ampliação de repasses federais para
serviços públicos.
A estratégia mostra como prefeitos podem utilizar a experiência acumulada na
administração municipal como plataforma para buscar mandatos no Legislativo
federal.
Márcio Canella tenta retornar à Assembleia
Outro caso relevante no Rio de Janeiro é o de Márcio Canella (União Brasil-RJ), que
renunciou à Prefeitura de Belford Roxo para tentar novamente uma vaga na
Assembleia Legislativa.
Canella havia lançado uma pré-candidatura ao Senado, mas desistiu da disputa após
ser alvo de uma operação policial que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por
meio de postos de combustíveis. O político nega irregularidades.
Agora, a estratégia é retornar à Assembleia, cargo para o qual foi o deputado estadual
mais votado do estado em 2022.
Ex-prefeito de Chapecó disputa governo estadual
Em Santa Catarina, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD-SC) renunciou
novamente ao cargo municipal para disputar o governo estadual.
Não é a primeira vez que Rodrigues adota a estratégia. Em 2010, ele também deixou
a prefeitura para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados

O ex-prefeito afirma que as renúncias anteriores não prejudicaram seu desempenho
eleitoral e que sempre recebeu votação expressiva em sua cidade de origem.
Eduardo Paes também deixou a Prefeitura do Rio
Entre os ex-prefeitos de capitais que trocaram o Executivo municipal por uma
candidatura majoritária está Eduardo Paes (PSD-RJ). Ele deixou a Prefeitura do Rio de
Janeiro para disputar o governo estadual.
Paes havia prometido durante a campanha municipal de 2024 que permaneceria no
cargo até o fim do mandato. Apesar disso, decidiu renunciar em abril para entrar na
corrida pelo Palácio Guanabara.
O cientista político Victor Escobar avalia que a mudança pode ser absorvida pelo
eleitor quando existe uma trajetória política consolidada e uma percepção de
continuidade administrativa.
Renúncia de prefeitos movimenta eleições de 2026
A quantidade recorde de renúncias evidencia como as prefeituras continuam sendo
importantes plataformas para a construção de carreiras políticas. Ao deixar o
Executivo municipal, os prefeitos tentam transformar a estrutura política construída
durante o mandato em votos para cargos estaduais ou federais.
O movimento também altera a composição das disputas nos estados, já que os exprefeitos levam para as campanhas redes de aliados, bases eleitorais e experiência
administrativa.
Com 68 renúncias, 2026 registra uma mudança significativa em relação aos pleitos
anteriores e consolida uma tendência de migração de prefeitos para Assembleias
Legislativas, Câmara dos Deputados e governos estaduais.

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