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RAÍZES DA HISTÓRIA: Bandeira Tribuzi: 49 anos sem um dos maiores intelectuais que o Maranhão já produziu

RAÍZES DA HISTÓRIA: Bandeira Tribuzi: 49 anos sem um dos maiores intelectuais que o Maranhão já produziu

Julimar de Caxias: Bandeira Tribuzi foi um dos grandes nomes da cultura e da intelectualidade maranhense no século XX. Poeta, Jornalista, Compositor, Filósofo...

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 08/09/2026 17:28 | 86 visualizações
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“Não quero meus versos numa antologia. Quero-os rolando caminhos e dias na boca do povo.”

Foi assim que Bandeira Tribuzi definiu, em versos, o verdadeiro destino da poesia: não ficar presa às páginas dos livros, mas ganhar as ruas, os caminhos, o pensamento e a memória das pessoas.

Neste dia 8 de setembro, o Maranhão relembra a morte de um de seus maiores intelectuais. Bandeira Tribuzi morreu em 8 de setembro de 1977, em São Luís, aos 50 anos de idade, deixando uma obra que ultrapassou a poesia e marcou profundamente a cultura, o jornalismo e o pensamento maranhense.

Quase cinco décadas depois de sua morte, seu nome continua vivo nas letras, na história e na própria paisagem de São Luís.

 

 

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José Tribuzi Pinheiro Gomes nasceu em São Luís, no dia 2 de fevereiro de 1927.

Ainda criança, mudou-se com a família para Portugal, onde viveu parte da infância e juventude e teve contato com importantes correntes da literatura europeia. Estudou em cidades como Porto, Aveiro e Coimbra, construindo uma sólida formação intelectual.

Quando retornou ao Maranhão, em 1946, trouxe consigo uma visão diferente da literatura e da poesia.

Naquele período, grande parte da produção literária maranhense ainda estava fortemente ligada às tradições românticas, parnasianas e simbolistas. Bandeira Tribuzi chegou com novas ideias, novas leituras e uma nova maneira de compreender a linguagem poética.

Dois anos depois, publicou “Alguma Existência”, em 1948.

A obra provocou estranhamento entre os mais conservadores, mas entusiasmo entre os jovens escritores.

Nascia ali uma nova etapa da literatura maranhense.

O MODERNISMO CHEGA COM FORÇA AO MARANHÃO

Bandeira Tribuzi é reconhecido como uma das figuras fundamentais da renovação da poesia no Maranhão.

Sua chegada representou uma verdadeira transformação.

Ele ajudou a introduzir uma linguagem mais livre, moderna e próxima das inquietações humanas e sociais de seu tempo.

Ao lado de nomes como Ferreira Gullar, Lago Burnett e outros grandes intelectuais, participou de uma geração que rompeu com antigos modelos literários e abriu novos caminhos para a produção cultural maranhense.

Para muitos estudiosos, seu primeiro livro, “Alguma Existência”, tornou-se uma das pedras fundamentais da moderna poesia do Maranhão.

Bandeira Tribuzi não escrevia apenas para admirar a beleza das palavras.

Sua poesia questionava.

Sua poesia pensava.

Sua poesia incomodava.

Sua poesia falava do homem, da cidade, do tempo, da solidão, da esperança e das contradições sociais.

POETA, JORNALISTA, ECONOMISTA E HUMANISTA

Reduzir Bandeira Tribuzi apenas à condição de poeta seria pouco.

Ele foi um intelectual completo.

Atuou como jornalista, professor, economista, ensaísta, crítico e pensador.

Também participou ativamente da imprensa maranhense e foi um dos fundadores do jornal O Estado do Maranhão, ao lado de José Sarney.

Nas redações, destacou-se como editor, articulista e homem profundamente ligado ao debate político, cultural e social.

Mas Bandeira Tribuzi não era um intelectual distante da realidade.

Tinha compromisso com o seu tempo.

Defendia ideias humanistas e acreditava que a cultura, a educação e o pensamento crítico eram instrumentos fundamentais para transformar a sociedade.

Sua atuação política e sua postura crítica lhe trouxeram consequências durante o período da ditadura militar.

Em 1964, chegou a ser preso e perdeu o emprego público por causa de sua militância e de suas posições políticas.

Mesmo diante das perseguições, não abandonou suas convicções.

 

 

Foto O1:Ponte Bandeira Tribuzzi - foto -2 e 03 escritos do Poete - Foto 04 Mmemorial na Praia da Ponta d"areia

A POESIA COMO EXPRESSÃO DA VIDA

A obra de Bandeira Tribuzi é marcada pela profundidade.

Ele escrevia sobre a condição humana, sobre o tempo, a memória, a cidade e a existência.

Entre suas principais obras estão:

  • Alguma Existência (1948);
  • Rosa da Esperança (1950);
  • Safra (1960);
  • Sonetos (1962);
  • Pele & Osso (1970);
  • Poesias Completas (publicada postumamente em 1979);
  • Poesia Reunida, organizada posteriormente.

Em sua poesia, convivem o lirismo e a crítica social.

Em seus versos, existe o homem que sonha, mas também o homem que sofre.

Existe a beleza, mas também a realidade.

Existe a esperança, mas também a inquietação.

Talvez por isso sua obra continue atual.

O POETA QUE CANTOU SÃO LUÍS

Bandeira Tribuzi também deixou sua marca definitiva na história da capital maranhense.

É dele o poema “Louvação a São Luís”, que se transformou no hino oficial da cidade.

Em seus versos, o poeta descreve a beleza e a história da velha cidade, suas igrejas, telhados, rios e memórias.

São Luís, para Bandeira Tribuzi, não era apenas uma cidade.

Era uma construção humana, histórica e afetiva.

Era passado e futuro.

Era beleza e contradição.

Era memória e esperança.

UMA VIDA BREVE, UM LEGADO ETERNO

Bandeira Tribuzi viveu apenas 50 anos.

Nasceu em 1927 e morreu em 1977.

Sua vida foi curta.

Mas sua contribuição foi gigantesca.

Poucos intelectuais conseguiram reunir tantas dimensões em uma única trajetória: poeta, jornalista, economista, professor, crítico, músico e humanista.

Poucos conseguiram deixar uma marca tão profunda na cultura maranhense.

Hoje, seu nome permanece presente em São Luís, em espaços públicos, monumentos e homenagens.

A Ponte Bandeira Tribuzi é uma das mais conhecidas referências da capital.

Seu acervo literário também vem sendo preservado e digitalizado, permitindo que novas gerações tenham acesso aos manuscritos, poemas, documentos e à produção intelectual daquele que ajudou a transformar a literatura do Maranhão.

BANDEIRA TRIBUZI: UM HOMEM À FRENTE DO SEU TEMPO

Relembrar Bandeira Tribuzi é relembrar a importância dos intelectuais que não se conformam com o mundo como ele é.

É reconhecer aqueles que utilizam a palavra como instrumento de transformação.

É compreender que poesia também pode ser resistência.

Que cultura também é luta.

Que pensamento crítico também é liberdade.

Bandeira Tribuzi pertence à história do Maranhão.

Mas sua obra ultrapassa as fronteiras do Estado.

Ele foi um homem à frente de seu tempo.

Um poeta que enxergava além do presente.

Um intelectual que acreditava no homem.

Um maranhense que ajudou a renovar a literatura brasileira produzida nesta terra.

Hoje, 8 de setembro, 49 anos após sua morte, Bandeira Tribuzi continua vivo.

Vivo nos livros.

Vivo na poesia.

Vivo na memória cultural do Maranhão.

Vivo nas ruas e nos caminhos de São Luís.

E, como desejava o próprio poeta, seus versos continuam seguindo...

“Rolando caminhos e dias na boca do povo.”


RAÍZES DA HISTÓRIA

Conhecer o passado é compreender o presente e ajudar a construir o futuro.

Uma homenagem do Blog do Valdir Rios aos grandes nomes que construíram a história, a cultura e a identidade do Maranhão.

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