A fome no Brasil só deixará de assombrar o pobre assalariado quando a corrupção diminuir e o salário mínimo deixar de ser um zero à esquerda.
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Quando escrevi que “a fome no Brasil só deixará de assombrar o pobre assalariado quando a corrupção diminuir e o salário mínimo deixar de ser um zero à esquerda”, quis expressar a minha indignação diante de uma realidade que ainda atinge milhões de trabalhadores.
Na minha visão, não basta o trabalhador ter um salário; é preciso que esse salário seja digno e suficiente para garantir alimentação, moradia e uma vida minimamente decente. Quando o salário mínimo perde seu poder de compra, o trabalhador pode passar o mês inteiro trabalhando e, mesmo assim, continuar enfrentando dificuldades para colocar comida na mesa.
Também faço uma crítica à corrupção porque acredito que todo recurso público desviado representa, de alguma maneira, uma oportunidade perdida de melhorar a vida da população. Dinheiro que deveria chegar à saúde, à educação, à segurança e a políticas sociais acaba não cumprindo sua finalidade.
Ao dizer que o salário mínimo não pode continuar sendo “um zero à esquerda”, estou usando uma metáfora para afirmar que o trabalhador precisa ter seu esforço valorizado. Não quero apenas um número escrito no contracheque; quero um salário que tenha verdadeiro significado na vida de quem trabalha.
Minha frase, portanto, é uma reflexão social e também um desabafo: enquanto houver corrupção prejudicando o uso correto do dinheiro público e enquanto o trabalhador receber uma remuneração insuficiente para viver com dignidade, a fome continuará sendo uma ameaça para o pobre assalariado.
Poeta Cícero Melo — Imperatriz
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