Poesias ao fazer do poeta A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
Eu, algum
Tudo o que sou está morto num desejo inanimado
e sem vontade horizontal.
..., e
tudo o que serei estará contido em forma transparente
ao lado avesso do invisível.
Um suicida
Domínio da inconsciência,
caçador do ato imoral,
transformada aparência,
retrato do mal.
Imposto o desejo pecador,
guia do errante caminho,
tal ensejo destruidor
de um animal sozinho.
Vil ilusão sem sorte,
começo da viagem enlouquecida,
coragem para a morte,
medo da vida.
Ônus do haver
Não haverá diferença
— que de um tudo unânime consistisse;
não haveria erro
— que o encanto acidentasse o fato;
não haveria causa
— que a intenção içasse a atitude;
não haveria consequência
— que a realização autodeterminasse a virtude;
não haveria destino
— que o desejo mostrasse o caminho;
não haveria perda
— que a mutação fosse contínua;
não haveria fim
— que o viver insidiasse o desaparecimento.
Prazer inicial
A carne
— todavia —
afronta-se com o desejo que arde em si.
O espírito
— contudo —
inibe-se, baldado pelo posseiro ato.
Embora
líquido dessa carne banhe a minha vergonha,
esse espírito, também meu,
alado num álibi,
voa no espaço que há entre ambos.
A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE