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Poesias ao fazer do poeta  A republicação é gratuita desde que citada a fonte.

Poesias ao fazer do poeta A republicação é gratuita desde que citada a fonte.

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 11/09/2026 11:22 | 40 visualizações
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Eu, algum

Tudo o que sou está morto num desejo inanimado
e sem vontade horizontal.
..., e
tudo o que serei estará contido em forma transparente
ao lado avesso do invisível.

Um suicida

Domínio da inconsciência,
caçador do ato imoral,
transformada aparência,
retrato do mal.

Imposto o desejo pecador,
guia do errante caminho,
tal ensejo destruidor
de um animal sozinho.

Vil ilusão sem sorte,
começo da viagem enlouquecida,
coragem para a morte,
medo da vida.

Ônus do haver

Não haverá diferença
— que de um tudo unânime consistisse;

não haveria erro
— que o encanto acidentasse o fato;

não haveria causa
— que a intenção içasse a atitude;

não haveria consequência
— que a realização autodeterminasse a virtude;

não haveria destino
— que o desejo mostrasse o caminho;

não haveria perda
— que a mutação fosse contínua;

não haveria fim
— que o viver insidiasse o desaparecimento.

Prazer inicial

A carne
— todavia —
afronta-se com o desejo que arde em si.

O espírito
— contudo —
inibe-se, baldado pelo posseiro ato.

Embora
líquido dessa carne banhe a minha vergonha,
esse espírito, também meu,
alado num álibi,
voa no espaço que há entre ambos.

A republicação é gratuita desde que citada a fonte.

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