A corrupção dos outros - Ricardo Marques
O brasileiro odeia a corrupção.
Desde que seja a corrupção dos outros.
A Quaest acaba de produzir um retrato curioso do eleitor nacional.
Em meio à crise no Supremo provocada pelo escândalo do Banco Master, 67% dos entrevistados disseram que o caso não muda seu voto para presidente.
Outros 22% afirmaram que o episódio apenas reforça a escolha que já fizeram.
Só 7% admitem considerar uma mudança de candidato.
E não se pode alegar desconhecimento: 73% dizem saber das mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Talvez o problema brasileiro não seja exatamente a tolerância com a corrupção.
É algo ainda mais sofisticado.
Nós inventamos a corrupção ideológica.
Se o ladrão está do outro lado, cadeia nele.
Se está do nosso lado, é perseguição política.
Se o escândalo atinge o adversário, queremos CPI, Polícia Federal, Ministério Público e o escambau.
Se bate à porta do nosso candidato, imediatamente aparecem a dúvida, a prudência e o garantismo.
O brasileiro não perdeu a capacidade de se indignar.
Apenas terceirizou a consciência.
No fim, talvez a corrupção que mais revolte o eleitor brasileiro seja uma só: a corrupção praticada pelo candidato dos outros.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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