Menina do “nariz de elefante” é salva por uma cirurgia: confira o antes e o depois

Uma menina com um “nariz de elefante”, semelhante a um tronco e com duas bolas maiores do que as de tênis, finalmente conseguiu retirar a anomalia em uma cirurgia que salvou sua vida.

Asiya Manghrio, de um ano e meio de idade, de Sanghar, na província do Sindh no Paquistão , sofria de encefalocele frontonasal, que fez seu tecido cerebral crescer através de um defeito no crânio.

A “maldição” da pobre criança leva a uma condição que pode afetar a respiração de seus portadores. A anomalia deixou Asiya incapaz de comer e em constante dor agonizante.

 Na semana passada, Asiya passou por uma cirurgia de três horas, depois que os médicos do Centro Médico de Jinnah Post Graduate realizaram o procedimento gratuitamente, haja vista que a família é de origem humilde. A cirurgia foi bem-sucedida e a criança deve ir para casa na semana que vem.

“Não posso expressar minha felicidade de ver minha filha sendo tratada de sua triste condição, que foi torturante não só para ela, mas também para mim”, disse Asiya Fatan Achar, de 23 anos, mãe da menina.

“Foi uma cirurgia complicada, mas tudo correu conforme o plano. A paciente está absolutamente bem agora. Inicialmente, ela recebeu uma dieta líquida e semilíquida, mas agora ela também pode comer biscoitos. Estamos constantemente monitorando sua condição e espero que ela receba alta do hospital até o final desta semana”, disse o neurocirurgião Dr. Lal Rehman.

O pai de Asiya, Achar Manghrio, 27 anos, que trabalha como funcionário de uma fazenda, e ganha apenas o equivalente a R$ 440 por mês, acrescentou: “Estávamos preocupados com o sucesso da cirurgia, pois os médicos nos disseram que existia um grande risco envolvido no procedimento”.

A encefalocele

A encefalocele, também conhecida como cranium bifidum, consiste em um defeito do tubo neural, caracterizada pela herniação do cérebro e das meninges por aberturas presentes no crânio

 A causa mais comum da ocorrência da encefalocele é o aparecimento de um defeito na ossificação da região posterior do crânio do embrião.

Estima-se que esta desordem afete 1 em cada 5.000 indivíduos nascidos vivos em todo o mundo.

Embora a causa ainda não tenha sido completamente elucidada, acredita-se que substâncias teratogênicas, azul de tripan e arsênico possam causar prejuízos ao desenvolvimento do feto, resultando em falhas no fechamento do tubo neural e, consequentemente, encefalocele.
Esta condição pode ser classifica em três tipos distintos:

Meningocele craniana: é a insinuação do encéfalo em crescimento para uma abertura anormal na caixa craniana. Neste caso, há a herniação de apenas as meninges, sendo, portanto, o tipo mais brando de encefalocele. Deste modo, encontram-se na herniação somente meninges e líquido cefalorraquidiano.

Meningoencefalocele: neste caso, há a herniação de meninges e parte do encéfalo (cérebro e/ou cerebelo, ou medula espinhal, dependo do local de herniação). Uma vez que contém tecido nervoso em seu interior, o quadro é considerado mais grave.

Meningohidroencefalocele: da mesma forma como a meningoencefalocele, há herniação das meninges, de parte do sistema nervoso central, carreando junto consigo uma extensão do sistema ventricular.

É importante ressaltar que a herniação pode ocorrer em toda a extensão do dorso do embrião, do crânio até o sacro, sendo pior o prognóstico quanto mais alto estiver localizado o defeito.

As manifestações clínicas que uma criança com encefalocele pode apresentar incluem:

• Acúmulo excessivo de líquido no cérebro;
• Ausência de forças nos membros superiores e/ou inferiores;
• Cabeça muito pequena;
• Incoordenação da musculatura esquelética;
• Atraso no desenvolvimento mental e físico;
• Problemas de visão;
• Convulsões.

O diagnóstico tipicamente é clínico, sendo possível observar o problema logo após o nascimento.

A única forma eficaz de tratamento, até o momento, é a cirurgia reparadora, que geralmente é feita durante a infância. A extensão da correção fica na dependência de cada caso.

Até o momento não se conhece uma forma de evitar a encefalocele; todavia, existem formas para se minimizar o risco de ocorrência. Pesquisas têm apontado que a suplementação na dieta de vitamina Bde mulheres que pretendem engravidar podem diminuir as chances da ocorrência deste defeito. Além disso, é extremamente importante evitar o consumo de álcool, tabaco e outras drogas durante a gravidez.