Os mortos que vivem em nós - Ricardo Marques
Os mortos que vivem em nós
Neste Dia de Finados, uma pergunta acompanha as flores, as velas e o silêncio dos cemitérios: o que devemos fazer com os nossos mortos?
Guardar? Esquecer? Aprender a deixá-los partir?
Uma canção provoca: "Esqueça os mortos, que eles não levantam mais”.
É duro ouvir isso quando a saudade ainda põe um prato a mais na mesa. Quando uma roupa conserva um cheiro. Quando a gente quase pega o telefone para ligar a quem já não pode atender.
Mas será que seguir vivendo exige esquecer?
Quem partiu permanece em nós de maneiras discretas: numa receita, num conselho, num gesto que repetimos sem perceber de quem aprendemos.
A memória também é uma forma de presença.
E cada um encontra seu jeito de conviver com ela. Há quem precise visitar o túmulo. Há quem prefira uma fotografia. Há quem ainda não consiga falar.
Não existe calendário para a saudade.
Talvez, com o tempo, possamos lembrar sem sentir apenas a dor da perda. Sorrir por aquilo que vivemos juntos. E aceitar que voltar a ser feliz não é uma traição.
Podemos levar os nossos mortos conosco e continuar caminhando.
Afinal, o amor que recebemos deles também nos preparou para a vida.
Veja o Comentário do Dia em vídeo (aqui)
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