O rio que morreu — e ninguém percebeu - Ricardo Marques
Há algo de profundamente perturbador em uma cidade que convive, em silêncio, com a morte de um rio.
O Rio Gangan não foi assassinado de repente. Não houve um crime passional, desses que chocam e mobilizam. Foi pior: foi morto aos poucos. Gota a gota. Cano a cano.
Esgoto a esgoto.
E o mais grave… com a indiferença de todos.
A decisão da Justiça que condena Prefeitura de São Luís, Estado e CAEMA - a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão - apenas reconhece, no papel, aquilo que a realidade já gritava há anos: transformamos um rio em vala.
Uma vala fétida. Um “esgoto a céu aberto”, como bem definiu o juiz.
E aqui está o ponto central.
O problema não é só o esgoto que corre.
É a naturalização da sujeira.
É quando o mau cheiro deixa de incomodar.
Quando a paisagem degradada vira rotina.
Quando a população passa ao largo… e o poder público também.
O Rio Gangan não é só um curso d’água.
É um espelho.
E o que ele reflete… não é bonito.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
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