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A república dos sussurros II - Ricardo Marque

A república dos sussurros II - Ricardo Marque

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 04/05/2026 13:52 | 30 visualizações
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Na política brasileira, os fatos caminham — mas os bastidores correm.

Nos últimos dias, o que se viu foi um espetáculo curioso: a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal continua rendendo e deixou de ser apenas um episódio institucional para virar enredo de romance policial — daqueles em que ninguém é inocente e todos têm algo a esconder.

De um lado, surgem relatos de um suposto alinhamento improvável envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Do outro, o ministro André Mendonça aparece como contraponto. No meio do tabuleiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articulando como quem joga xadrez — ou pôquer.

E então surge o tempero que transforma suspeita em narrativa: o tal “caso Master”.

Fala-se. Insinua-se. Sugere-se.

Mas prova mesmo? Silêncio.

A jornalista Eliane Cantanhêde, em O Estado de S. Paulo, foi direta ao ponto: descreveu um possível “acórdão” com cheiro de troca — “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.

É forte. É grave. E, se verdadeiro, é devastador.

Mas aqui entra o detalhe que separa análise de imprudência: no Brasil de hoje, a fronteira entre bastidor e ficção está perigosamente borrada. A política virou um território onde versões competem com fatos — e, muitas vezes, vencem.

O problema não é apenas o que pode ter acontecido.

O problema é que parece plausível.

E quando a sociedade começa a achar plausível que ministros da mais alta Corte, senadores e interesses cruzados estejam jogando um jogo subterrâneo… algo já deu muito errado.

Porque instituições não vivem só de decisões.

Vivem de confiança.

E confiança não se decreta — se constrói. E, sobretudo, se perde.

No fim das contas, talvez nem importe se houve conluio, pacto ou apenas coincidência estratégica.

O estrago maior já está feito:

O Brasil virou um país onde a dúvida grita — e a certeza… A certeza se esconde.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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