Que nossos políticos avaliem o que dizem as redes sociais A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
Estamos em meados de junho, praticamente a 90 dias das eleições de 2026, e assistimos o panorama político mudar a cada dia em relação ao pleito de 4 outubro vindouro que se aproxima. A política caxiense ainda não se manifesta efusivamente na campanha presidencial. Seu campo de atuação se concentra nas escolhas para cargos à governadoria do Estado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa do Maranhão, os dois últimos setores onde já temos representantes.
Contudo, é na casa de ressonância do povo, a Câmara Municipal de Caxias (CMC), onde as trombetas estão começando a reverberar com mais intensidade. A bancada oposicionista, formada pelos vereadores Catulé (PL), Daniel Barros (PRD), Dr. Eugênio Freitas (AGIR) e Wesley Coutinho (União Brasil), seguem mantendo um discurso coordenado com alvo focado na gestão municipal. Não se passa uma só sessão legislativa sem que seja evidenciado uma reivindicação da comunidade, além de denúncias oferecidas pelos eleitores, que são muitas e de todos os tipos no espectro político/administrativo da cidade.
A última denúncia oferecida versou sobre uma suposta folha de pagamento fantasma, na qual se encontram beneficiadas amizades do prefeito José Gentil Neto (PP), com destaque para um membro da assessoria que é formado em enfermagem, mas ganha, em verdade, salário pago aos médicos contratados pelo município. Há também o caso de um assessor da Secretaria Municipal de Saúde que assiste aulas de curso de medicina na vizinha Codó, situação que compromete sobremaneira a sua atuação no órgão, uma vez que a maior parte da semana está fora de Caxias. Também há o caso de uma empresa de transporte escolar envolvida com a polícia.
Dentro da estratégia adotada para confrontar os oposicionistas, vereadores da situação se comportam como se nada de errado estivesse acontecendo em Caxias, muito menos no âmbito de uma gestão que já foi declarada cassada pela justiça eleitoral em primeira instância, por abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024.
Na última quarta-feira, 10, porém, o mais expressivo prócere desse grupo, vereador Mário Assunção (PP), decidiu romper o silêncio calculado neste primeiro semestre do ano, e usou seu microfone, não para confrontar com argumentos sólidos as declarações do colega Daniel Barros, mas para colocar em cheque sua reputação na política caxiense, classificando-o como um agente político sem credibilidade, em abstinência de poder, inclusive com passado nada luminoso quando ocupou a secretaria adjunta de saúde na gestão do ex-prefeito Léo Coutinho.
Talvez influenciado pelas pequenas obras de infraestrutura que o governo estadual realiza na cidade, um campo que tem produzido muita munição para os oposicionistas, porque expõe um tesouro municipal que pouco investe seus recursos próprios no município, Assunção procurou fragilizar a atuação de Barros. Segundo ele, Daniel estaria com seus dias políticos contados, à medida que as demandas da população por ele apresentadas recebam soluções apropriadas por parte da prefeitura e governo estadual.
A argumentação do primeiro vice-presidente da CMC, no entanto, esbarra no fato de que a oposição não inventa fatos, mas transmite, repercute, as reivindicações populares. Ou seja: quando a bancada governista age como se tudo estivesse correndo bem para a administração, são pessoas simples da comunidade que mostram o contrário, chamando parlamentares da oposição a se posicionarem contra desmandos administrativos e precariedade de serviços oferecidos em praticamente todos os setores do poder público municipal.
Talvez no entendimento de que a população tem memória frágil e não se lembra de coisas que já aconteceram em Caxias, MA não considerou que ele também fizera parte da gestão Léo Coutinho, atuando no legislativo caxiense como líder inconteste daquele governo. Sua atuação sucumbiu nos estertores da gestão que não conseguiu se reeleger, sendo superada por Fábio Gentil (PP). Passou um tempo afastado do centro de decisões, mas voltou a se evidenciar na segunda gestão de FG, quando a poeira baixou.
Antes de se lançar numa cruzada que não reflete o seu intelecto, porque é de fato, um cidadão muito preparado, o vereador devia correr os olhos pelas redes sociais, saber o que o eleitorado pensa a respeito. Após ele se pronunciar no plenário da CMC, foram muitas as argumentações em contrário. Do tipo: “Um defende os interesses do povo e o outro a base, os próprios interesses”; “Esse aí é o vidro do lustra móveis do prefeito”; “Seria tão louvável se pelo menos 20% da população caxiense assistisse as sessões da Câmara Municipal pelo YouTube. Tenho certeza de que ficariam com vergonha do seu voto, e veriam realmente os vereadores que ‘trabalham’ para a população”; “Enquanto um ou dois mostra a realidade que Caxias se encontra, outros tentam mostrar o que nada tá sendo feito, e até obras maquiadas porque tá em ano eleitoral...”; “A cidade cheia de descaso e esse vereador só defende o prefeito, tem bairro que não dá de passar nas ruas porque é buraco demais”; “Concurso público, onde moço? Está de brincadeira”; “Cadê que ele fala da devolução do dinheiro do concurso”; “Um louco falando a verdade é mais confiável do que um refinado proferindo mentiras”.
Se pode haver algum consolo a respeito do que se passa atualmente no legislativo caxiense, basta observar que, no âmbito de uma população de cerca de 160 mil habitantes, apenas 62 pessoas chegaram a acessar a última sessão da CMC pelo YouTube. Para quem entende do assunto, isso é uma demonstração de descrédito geral da comunidade, o que pode comprometer a recondução de muitos edis na próxima eleição municipal. A redes sociais, hoje, expõem o que a população realmente pensa de suas lideranças políticas. Ademais, é bom lembrar que a justiça e a polícia nunca estiveram tão atentas contra eventuais falcatruas no sistema político.
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