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São Luís: nua, e crua, e anda na rua! - Herbert de Jesus Santos,  jornalista, poeta e prosador.

São Luís: nua, e crua, e anda na rua! - Herbert de Jesus Santos, jornalista, poeta e prosador.

Autor: Valdir Rios | Esse o POVO não esquece | 16/05/2026 20:00 | 80 visualizações
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Ela vaivém, pelada, como nasceu, pela Ponte de São Francisco, e nenhum palácio a vê)                  

Por Herbert de Jesus Santos

 

                        Foto: Alves Mototaxista - Está na hora dessa pessoa ser retirada das ruas e ter um tratamento humano, num hospital, por parte das autoridades competentes    

Na minha vida de jornalista profissional, já passei por bons momentos dos ossos do ofício, como, no jornal O Imparcial (começo de carreira, egresso do Curso de Comunicação Social da UFMA), tentar entrevistar o último presidente da ditadura militar, João Baptista Figueiredo, eu com dificuldades do Aeroporto do Tirirical ao Palácio dos Leões, com seus guarda-costas vendo um atentado aonde olhavam. Depois,  foi a obtenção de algumas palavras de Rei dos Homens, o último maluco beleza da Cidade, e pude cumprir a pauta, a troco de pagar-lhe um almoço num prato cheio, no Bar-Restaurante Cajueiro, na Rua Afonso Pena, e arranquei informações preciosas quanto Washington Luís de Camões ser seu nome de batismo, haver estudado nos melhores colégios particulares da sua época, batendo tudo com que se sabia de conversas no Abrigo do Largo do Carmo.

No final, voltou com seu bordão infalível, balançando seu corpanzil dentro do seu paletó surrado, e friccionando os dedos polegar e indicador da mão direita, à guisa de cobrança: "Agora, passa um dinheiro aí pra Rei dos Homens que estou precisando ficar rico!"               Recordei de Rei dos Homens, há pouco, na pessoa de uma criatura sem parecença com nenhum dos aluados que frequentaram o Centro Histórico. Dizem que ela, preta, totalmente desequilibrada, vem, religiosamente, do São Francisco, atravessando a ponte, e  sobe a Rua do Egito, pega a Praça João Lisboa e o Largo do Carmo, em direção ao Mercado Central, onde as comerciárias saem das portas das lojas, enquanto ela, com as vergonhas à mostra, não está nem aí!      Todo mundo já olhou a dita cuja, a céu aberto, totalmente despida,  mas ninguém do Palácio dos Leões, do da Prefeitura, do Palácio da Justiça, e até do arcebispado, ou de algum Palácio do Povo.

Se a seguirem, vão achá-la num amontoado de desocupados e doentes, já com sintomas de tuberculose, perto do Mercado Central, do Xirizal da Casa Freitas, e da Rua da Manga e Portinho adentro. Estão só esperando os órgãos de Saúde fazer a triagem e conduzi-los para uma chance de vida melhor.                      Na sua volta para o São Francisco, subindo a Av. Magalhães de Almeida, depois da sua encasquetação diurturna, tentei uma aproximação, comprando-lhe um lanche na bodega do Domingos, e ela, já  traçando um pão,  atirou ao chão uma caixa de papelão, que alguém deu para ela ao menos cobrir o possível do seu corpo magérrimo.                  

Encerro aqui, com o texto da jornalista Flávia Regina, ex-secretária da Comunicação no Governo José Reinaldo, ostentando uma visão mais ampla da problemática, ela sem passar as perseguições que sofri, sem papas na língua, nos meus artigos, nas décadas de  1990, 2000 e 2010, dos governos estaduais, com exceção do de Zé Reinaldo e Jackson Lago.

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