Pesquisa ou ficção? - RICARDO MARQUES
Tem pesquisa eleitoral no Maranhão que parece roteiro de pornochanchada: ninguém entende direito, mas sempre aparece alguém jurando que aquilo faz sentido.
A última pesquisa divulgada conseguiu um feito quase científico: provocou estranheza até em quem costuma acreditar em horóscopo político. O levantamento apareceu com números tão “criativos” que muita gente começou a procurar onde estava escondido o departamento de efeitos especiais.
E o problema nem é candidato reclamar de pesquisa. Isso faz parte do jogo. O curioso é quando o próprio resultado começa a gritar sozinho no meio da praça pública. Aí não é mais oposição falando. É a desconfiança popular pedindo o microfone.
Lahésio Bonfim, com aquele estilo dele de quem mistura sermão, indignação e live de caminhoneiro revoltado, resumiu tudo numa frase popular: “deixaram batom na cueca”.
Pesado? Talvez.
Mas convenhamos: há pesquisas que parecem feitas não para retratar a realidade… mas para tentar fabricá-la.
No Brasil, pesquisa virou arma psicológica. Serve para empolgar militância, intimidar adversário e convencer o eleitor de que o jogo já acabou antes mesmo de começar.
Só esqueceram de combinar com o povo.
Porque eleitor pode até ser enganado por um tempo. Mas quando o número desafia a lógica, o sentimento das ruas e até a memória recente… a pesquisa deixa de ser fotografia e vira peça de ficção.
E toda ficção ruim tem o mesmo destino:
o público abandona antes do último capítulo.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE