A República dos salvadores - Ricardo Marques
O Brasil tem uma estranha necessidade de fabricar salvadores.
De tempos em tempos, elegemos alguém para a condição de paladino da moralidade, quase uma entidade ungida para redimir a República.
Foi assim com Joaquim Barbosa, no Mensalão.
Depois, com Sérgio Moro, na Lava Jato.
Por último, Alexandre de Moraes, “ O Xandão”, no 8 de Janeiro.
Mudam os personagens.
O roteiro é parecido.
O herói sobe ao pedestal e parte, como um Dom Quixote tropical, contra os moinhos da corrupção e da imoralidade.
E então surge o perigo: em nome da boa causa, começamos a perdoar os maus métodos.
Por isso é tão importante o mea-culpa feito agora por Merval Pereira — jornalista e presidente da Academia Brasileira de Letras.
Ao reconhecer que parte da imprensa aceitou medidas “claramente fora da lei” sob o argumento de defender a democracia, Merval resumiu o problema numa frase: “Nós erramos!”.
Democracia não precisa de santos, salvadores ou justiceiros.
Precisa de instituições, limites e leis.
Porque, quando os fins passam a justificar os meios, até o herói pode terminar lutando contra aquilo que dizia defender.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
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