Chega de maracutaias, a ordem é avançar - Sílvio Cunha
Em clima de muita intoxicação social, fenômeno que tomou conta do país nos últimos anos por causa do maniqueísmo político que tomou conta da nação brasileira, que não é a dicotomia clássica do bem contra o mal, mas a que determina sobre quem se apoia em ideias sociais ou capitalistas, esquerda versus direita, Caxias está vivenciando um momento sui generis na sua história política.
A boa conversa com um amigo dileto de longas datas, trouxe-nos a percepção de que realmente hoje os políticos locais estão fazendo de tudo, o possível e o impossível, para se manterem no poder. Não importam os meios se os fins os justificam. E ele me dizia da coragem que certas lideranças locais têm em praticar ilícitos, sem se importarem com as consequências de seus atos. Julgam-se intocáveis. Não temem a um posterior declínio, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde a justiça possa os encontrar e percebam, além de ter seus recursos confiscados, acabar simplesmente em uma prisão, sem mais perspectivas de prosseguir na vida política.
A última eleição municipal foi um grande recado para essa gente, haja vista que quase de tudo foi feito para a manutenção do poder. Agora, porém, quando o interesse maior é reeleger suas representações para a Assembleia Estadual e Câmara dos Deputados, o vale-tudo vai de vento em popa. Imagine que servidores municipais estão indo a contragosto para carreatas, motociatas, caminhadas e a reuniões que projetem essas candidaturas. Recebem senhas com santinhos que devem ser entregues ao eleitorado sem desfaçatez por onde passam. É o preço que pagam por haverem encontrado um lugarzinho ao sol. Não concordando, após todo o movimento político de outubro passar, o caminho será o da exoneração de cargos, sem o mínimo de compaixão.
Isso acontece em nossa região porque o poder público segue como o grande empregador do mercado de trabalho caxiense. Trabalhar na prefeitura, por exemplo, é uma tábua de salvação. E assim seus controladores sempre encontram um jeito de encaixar desesperados por emprego, perpetuando uma prática política que outros municípios já abandonaram. Nesse marasmo em que estamos vivendo na terra-berço do laureado escritor Maximiano Coelho Neto, do grande vate Antônio Gonçalves Dias, do poeta Vespasiano Ramos, do positivista Raimundo Teixeira Mendes, do médico, matemático e historiador César Marques, dentre outros, assistimos ao declínio da importância da cidade.
Longe de projetar Caxias a patamares superiores, o que se assiste são lideranças que elegem a perda de prestígio como mola de ação. Ao invés de presenciarmos pessoas com capacidade para Caxias retomar seu verdadeiro lugar na história do Maranhão, o que se observa é o culto aos escândalos, à imposição arrogante até sobre os iguais. Tem gente que só é pequena em estatura, mas pensa que é um Golias, Kublai khan, Átila, o huno, a quem todos têm a obrigação de temer e de servir para que consiga alcançar seus objetivos, que é o poder supremo da cidade, em breve tempo, é claro.
Esse fato tem sido muito explorado ultimamente pelos principais blogueiros que cobrem a região. Há quem garanta que a tal conduta vai inclusive prejudicar as candidaturas do grupo político. Mas isso é uma coisa que pode mudar ou permanecer nesse pouco tempo que resta para as eleições de 4 de outubro.
Pelo que se depreende da situação caxiense, torna-se imperativo para o eleitorado escolher quadros que possam fazer o município avançar novamente. Chegou a hora de dar um basta a essas armações, como compra de votos, volumosas carreatas e concentrações de pessoas pagas com o dinheiro público. Isso é possível?! Bem, aconteceu quando o vereador Fábio Gentil (PP) tinha que pedir dinheiro até a agiota para fazer política. Mas isso ocorreu há cerca de dez anos.
Felizmente a economia da cidade já dá mostras de mudança dada a presença do agronegócio no município. Um porto seco, o Terminal Intermodal Gonçalves Dias, já está sendo erguido pela iniciativa privada à margem da ferrovia São Luís-Teresina, por trás do Polo Empresarial de Caxias, situado na Br-316. Enfim, são os novos tempos chegando, que exigem uma mudança substancial no modo de pensar do caxiense. As maracutaias têm que acabar para dar lugar à responsabilidade no preparo intelectual dos jovens, esperança para as famílias que se entristecem com os filhos que são obrigados a sair da cidade para sobreviverem e não se tornarem presas do narcotráfico que podem escravizá-los.
A republicação é gratuita desde que citada a fonte.
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